A economia brasileira avançou 2,3% em 2025, somando R$ 12,7 trilhões, de acordo com os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, dentro dessa engrenagem trilionária, o copo dos brasileiros tem um peso gigantesco. Segundo estimativa do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), a cadeia produtiva do setor representa hoje 2% do PIB nacional. Ou seja, o impacto da cerveja na economia, o “PIB da cerveja”, é de aproximadamente R$ 254 bilhões.
Para se ter uma ideia real do que esse montante significa, a riqueza gerada pela indústria cervejeira e seus parceiros equivale a todo o PIB do Pará. O estado atingiu R$ 254,5 bilhões em 2023 (segundo os dados regionais mais recentes do IBGE).
Ou, se preferir outra comparação, representa praticamente a metade de toda a economia de Santa Catarina (R$ 513,3 bilhões), um dos estados mais ricos do país.
O vigor financeiro do setor cervejeiro se explica pela sua capilaridade. A produção da bebida dentro das fábricas é apenas uma parte do processo. A cadeia produtiva tem início no agronegócio, com o cultivo de insumos fundamentais como cevada e lúpulo. Em seguida, movimenta a indústria de embalagens, impulsionando a fabricação de latas de alumínio e garrafas de vidro. Depois, exige uma logística de transporte complexa até chegar ao setor de serviços, garantindo a vitalidade de milhares de bares, restaurantes e supermercados por todo o país.
Toda essa rede faz da cerveja um verdadeiro motor de empregabilidade. Dados de um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) encomendado pelo Sindicerv mostram um impressionante efeito multiplicador. Para cada emprego gerado diretamente em uma cervejaria, outros 34 novos postos de trabalho são criados em toda a cadeia produtiva. No total, estima-se que o setor seja responsável por mais de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos no Brasil.
O brinde econômico do setor, no entanto, também enche os cofres públicos por conta da altíssima carga tributária. A cerveja é, historicamente, um dos produtos mais taxados do país. De acordo com o Sindicerv, os impostos gerados anualmente na cadeia produtiva somam mais de R$ 50 bilhões. E isso reforça a importância do segmento que, além de cultura e paixão nacional, se consolida como um pilar essencial para a arrecadação e o crescimento do Brasil.
O 14º Concurso Brasileiro de Cervejas de Blumenau (SC), um dos mais tradicionais do setor, chegou ao fim nesta terça-feira (3) com a cerimônia de divulgação dos resultados finais. E, pela primeira, as três melhores cervejas da competição foram todas de estilos brasileiros. Ao todo, elas superaram cerca de 2,7 mil amostras inscritas, de 175 estilos diferentes, que foram avaliadas por 70 juízes brasileiros e estrangeiros. Ao todo, foram premiadas 157 cervejarias de 15 estados.
A Best of Show (melhor cerveja do concurso) foi a Patanegra Cacacu Wood, da Cervejaria Patanegra, de Pinhais (PR), na região metropolitana de Curitiba. Ela foi inscrita no estilo Cerveja Ácida com Madeira Brasileira (Brazilian Wood- and Barrel-Aged Sour Beer).
A medalha de prata entre as melhores ficou com a Pina Colada – Catharina Sour com Abacaxi e Coco, da Faroeste Beer, de Itajaí (SC). Um belo presente para o primeiro estilo de cerveja brasileiro a entrar num guia de estilos, que completa dez anos em 2026. A Catharina Sour faz parte das guidelines do Beer Judge Certification Program (BJCP) desde 2016.
A terceira colocada foi a Alagoas Funky Wild, da Caatinga Rocks, cervejaria de Murici (AL). Ela foi inscrita no estilo Manipueira Selvagem, que teve sua estreia este ano no concurso.
A criatividade do mercado nacional
“Na mesa final, que selecionou as três melhores cervejas, a grande maioria dos juízes era formada por estrangeiros e com alguns dos melhores currículos do mundo, o que atesta a credibilidade dessa escolha”, diz Fernanda Bressiani, professora da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) e uma das responsáveis pelo Concurso Brasileiro de Cervejas.
“Ao nos depararmos com os nomes das amostras escolhidas, tivemos a certeza de que esta é uma edição que vai contar para todo o mundo sobre o que as cervejarias brasileiras estão criando”, reforça.
Melhores Cervejarias do Concurso Brasileiro de Cervejas
Equipe da Big Jack recebendo o prêmio de Melhor Cervejaria do Concurso Brasileiro de Cervejas (Crédito: Daniel Zimmermann / Divulgação )
Todo o ano, as melhores cervejarias do evento são escolhidas com base no número e tipo de medalhas que levam para casa. As maiores vencedoras são ainda premiadas como Melhores Cervejarias do concurso.
A marca que conquistou o melhor resultado de toda a premiação este ano foi a Big Jack Cervejaria, de Orleans (SC), com 27 medalhas ao todo, sendo 12 ouros. O segundo lugar ficou com a Cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), com 22 medalhas, sendo 10 de ouro. E em terceiro lugar ficou a Cervejaria Leopoldina, de Garibaldi (RS), com 13 medalhas, sendo sete de ouro.
Melhores por estado
O Concurso Brasileiro de Cervejas premiou cervejarias de 15 estados diferentes. Com os resultados, a competição elegeu também as melhores de cada unidade da federação.
O Festival Brasileiro da Cerveja, o mais tradicional e longevo evento cervejeiro brasileiro focado no consumidor, chega à 17ª edição remodelado. O evento, que vai desta quarta-feira (4) até sábado no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC), sofreu pequenos ajustes em relação à edição anterior e deve continuar a trajetória de retomada iniciada em 2025.
O nome Festival Brasileiro da Cerveja é frequentemente utilizado para se referir a todo um conjunto de eventos que acontecem na cidade. Entre eles estão o Festival Brasileiro da Cerveja propriamente dito, que este ano passa a ser organizado pela prefeitura de Blumenau; o novo Degusta Cervejas Brasil, área open bar que este ano reúne 200 cervejarias de 15 estados servindo 900 rótulos de cervejas diferentes; o Seminário Internacional da Cerveja, focado em palestras e seminários técnicos; o Circuito Cervejeiro, com eventos paralelos; e o Concurso Brasilerio da Cerveja.
O concurso, que chega à 14ª edição, teve mais de 2,7 mil amostras inscritas, que estão sendo julgadas por cerca de 70 juízes do Brasil e do exterior desde sábado (28). O resultado será divulgado na noite desta terça-feira (3).
Festival Brasileiro da Cerveja
O evento principal será organizado pela primeira vez pela prefeitura municipal. Mas não se trata de uma estreante. No currículo, a cidade já tem dezenas de realizações da Oktoberfest, uma das maiores festas do país. Somente em 2025, ano que marcou a 40ª edição, o evento recebeu cerca de 700 mil pessoas.
A expectativa é que o evento se torne ainda maior, já que concentra uma grande programação de shows, gastronomia e 40 cervejarias. Nessa modalidade, o participante compra os ingressos a preços populares (entre R$ 20 e R$ 40, dependendo da data) e paga à parte o consumo de cervejas, bebidas e comidas nos pavilhões.
Uma das novidades está na área gastronômica, que este ano terá curadoria de street food assinada por chefs renomados, como Carlos Bertolazzi e Heiko Grabolle. Serão pratos inspirados em seis estilos internacionais (britânico, alemão, italiano, brasileiro, belga e americano), em que a cerveja também é utilizada como ingrediente.
Junto com o Festival acontece o Degusta Cervejas do Brasil, organizado pela Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja (ABCBC). Trata-se de uma área open bar de degustação livre que segue o modelo de outros festivais internacionais, como o norte-americano Great American Beer Festival (GABF) — referência no setor.
Este ano serão duas centenas de cervejarias e quase mil rótulos de cervejas diferentes. A ideia do evento é disponibilizar ao participante uma grande variedade de cervejas de diferentes regiões do país, como explicou em entrevista ao Guia da Cerveja Carlos Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), um dos organizadores do Degusta.
A configuração do espaço é como uma grande feira com estandes das cervejarias, nos quais os produtos são servidos. No evento de Blumenau, como no GABF, a diferença é que todas as instalações são iguais, padronizadas, mantendo o foco no produto, independentemente do tamanho ou tempo de história da fábrica que o produz.
Degusta Cervejas Brasil será realizado em paralelo ao Festival Brasileiro da Cerveja com sistema open bar 200 cervejarias (Credito Daniel Zimmermann)
Para animar, o público terá música ao vivo com discotecagens de projetos e duplas da região. Este ano, uma novidade é a introdução de outros produtos além da cerveja, com vinhos da Casa Valduga, cafés do Currys Coffee e a Marek Torrefação, chás da Manifestea e da Matchu Picchu, kombucha da Booch, licores da Schluck e destilados da Folivora Spirits (cobrados à parte).
O evento acontece nos quatro dias, das 19 às 23 horas. Os ingressos estão à venda no site oficial nas modalidades diário (a partir de R$ 259), fim de semana (a partir de R$ 459) e passaporte para os quatro dias (a partir de R$ 689). Quem adquirir o ingresso para o Degusta Cervejas do Brasil tem acesso livre ao Festival Brasileiro da Cerveja.
Novidades cervejeiras
Como acontecia no passado, algumas cervejarias vão aproveitar a oportunidade para lançar cervejas e divulgar outras novidades durante o Degusta. Algumas já divulgaram quais são.
A Cervejaria Cozalinda, de Florianópolis (SC), deve fazer a estreia da sua sidra chamada JPPL?, uma sidra seca com gaseificação natural produzida por meio de fermentação selvagem ao longo de três meses e a partir de maçãs Fuji e Gala. Também vai apresentar a edição 2026 das cervejas de fermentação natural Macacada (500 gramas de amora orgânica por litro) e Saison Uruçu (com mel de uruçu). Por fim, lança a Deleite do Aracuã, também de fermentação natural com araçá orgânico.
Este também é o ano em que o primeiro estilo brasileiro de cerveja, o Catharina Sour, completa uma década. A Liffey Cervejaria, que produziu a cerveja que é considerada a primeira do estilo (Coroa Real, de abacaxi com hortelã), estará presente no evento. Bem como a Cervejaria Blumenau, a primeira a envasar (Catharina Sour Pêssego). Turatti, de Fortaleza (CE), levará a sua versão com goiaba, lactose e baunilha. Já o Omas Haus Brewpub, da cidade de Blumenau, vai oferecer uma opção com goiaba e maracujá.
Já a Cervejaria Triângulo das Bermudas traz como destaque a Rosa Rasteira, uma Catarina Sour com adição de goiaba, pitaya e limão que acumula ouros no Mondial de la Bière e bronze na Copa Cerveja Brasil, e cervejas como a Caixa Preta, uma Black Rye IPA com café.
Programações paralelas
Para quem atua no mercado da bebida, estar em Blumenau neste período também representa a oportunidade de aprimoramento profissional. O Seminário Internacional da Cerveja, organizado pela Escola Superior de Cerveja e Malte, acontece de 4 a 6 de março a partir das 13h. Mais informações e inscrições estão disponíveis no site oficial.
No Circuito Cervejeiro, programações que acontecem em outros endereços estão reunidas para quem vai passar o dia em Blumenau. São atividades em cervejarias, restaurantes e outros espaços que se conectam com o tema, com participação por adesão. Mais informações estão disponíveis no site oficial.
Serviço
Festival Brasileiro da Cerveja
Data: de quarta (4) à sexta (6), das 19h às 01h; sábado (7), das 11h às 01h
A tragédia climática que atinge a Zona da Mata mineira nesse mês de fevereiro de 2026 deixou um rastro de destruição. São 64 mortos confirmados e mais de 4 mil desabrigados ou desalojados em cidades como Juiz de Fora e Ubá até a manhã desta sexta-feira (27). Além das perdas estruturais e humanas, a economia local também foi atingida em cheio. As cervejarias artesanais da região enfrentam paralisações logísticas, prejuízos acumulados e um cenário de incerteza profunda.
Não há relatos de cervejarias que tenham sido alagadas ou sofrido desabamentos até o momento, explica Alexandre Vaz, presidente da Associação das Cervejarias da Zona da Mata Mineira (Unicerva). A entidade tem sede no epicentro da tragédia, em Juiz de Fora, e reúne 28 cervejarias associadas na região – 18 delas têm fábricas próprias e 10 são ciganas.
No entanto, todo o contexto da cidade está impactando o setor: desde a distribuição de barris até a própria operação estrutural das fábricas, além da segurança das equipes de trabalho.
O cenário nas cervejarias locais
O alto volume de chuvas que levou aos alagamentos, desabamentos e desmoronamentos desta semana foi o ápice de um evento climático que já vem impactando a região desde o início deste ano, explica Alexandre Vaz, que também é proprietário da Cervejaria São Bartolomeu. O movimento comercial de bares e fábricas já vinha caindo desde janeiro. “A gente vem de dois meses de chuvas ininterruptas, tem 40 dias que chove sem parar na região. Ninguém sai de casa. As vendas das cervejarias caíram muito, o público dos bares e restaurantes desapareceu”, diz.
O setor já estava sentindo este impacto quando a tragédia maior aconteceu. Na Cervejaria São Bartolomeu, por exemplo, o acesso ficou bloqueado nesta semana porque a rua que levava à fábrica cedeu. Diversos funcionários do setor tiveram seus veículos e casas alagados e sofreram perdas materiais significativas, tendo que abandonar suas casas às pressas devido ao risco iminente. “A cidade inteira está meio parada”, resume Vaz, ressaltando a dificuldade de retomar qualquer rotina comercial neste cenário.
Outra cervejaria, a Bravo Beer, relata falta de água, de energia e que houve infiltrações na estrutura. “Há diversos cancelamentos de pedidos e muitos bloqueios de ruas pela cidade”.
Prejuízos no Carnaval e o fantasma da inadimplência
Chuva em Juiz de Fora deixou cidade alagada. (Crédito: Reprodução / TV Globo)
O fato desta tragédia ter ocorrido em uma data próxima a um dos eventos mais importantes do ano para a indústria cervejeira – o Carnaval – acrescenta ainda mais drama à situação local.
Vaz relata que a sua fábrica, que tem uma produção mensal entre 20 mil e 25 mil litros, sofreu um baque severo na época de folia. A cervejaria preparou bebida para atender 60 blocos de Carnaval, mas não conseguiu realizar as vendas esperadas, amargando prejuízos logo no início do ano.
Agora, o grande temor do setor artesanal é o efeito dominó financeiro causado pelo fechamento dos pontos de venda. Isso porque a maioria dos bares depende de capital de giro e do fluxo diário de caixa para honrar seus compromissos, explica Vaz. Como os estabelecimentos estão de portas fechadas e sem faturamento, há um medo real de que uma alta taxa de inadimplência atinja as cervejarias no próximo mês.
Reconstrução, planejamento e solidariedade
Apesar da devastação e do risco contínuo — com alertas vermelhos do Inmet ainda ativos devido ao solo completamente encharcado —, a cultura de união do setor cervejeiro tem se provado essencial. Diversas cervejarias estão utilizando seus veículos de entrega e logística para distribuir ajuda solidária aos afetados, conta Vaz.
A longo prazo, a preocupação da Unicerva volta-se para a lenta recuperação econômica e para os severos danos psicológicos sofridos pela população, que vão inibir o consumo e a realização de eventos na cidade nos próximos meses.
A diretoria da associação agendou uma reunião para a tarde da próxima segunda-feira (2) com os associados para debater o impacto e iniciar o planejamento de sobrevivência e reconstrução do setor na Zona da Mata.
Dimensão histórica da tragédia climática
Os relatos do setor cervejeiro refletem o colapso estrutural da região, que enfrenta um volume de precipitação sem precedentes. De acordo com o Inmet, Juiz de Fora já acumulou mais de 740 milímetros de chuva desde o início de fevereiro, o maior volume para o mês desde 1961.
O governo federal já reconheceu o estado de calamidade pública na região, e o governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias no estado.
As chuvas não pouparam nenhuma infraestrutura. Casarões avaliados em mais de um milhão de reais desabaram em bairros nobres, conta Vaz. A Avenida Rio Branco, principal via central de Juiz de Fora, transformou-se em um rio caudaloso, que não cede.
Quando os filhos perguntam à mãe ou ao pai qual ela ou ele ama mais, a resposta é sempre a mesma: ama-os de forma equivalente. Por ofício de sommelier, devo, no melhor das minhas habilidades, conhecer e oferecer a cerveja que mais se adapta às expectativas de um cliente. Porém, por mais que eu ame praticamente todos os estilos de cerveja — exceto pastrys e smoothies, mas isso é papo para outra coluna —, os poucos que me acompanham por aqui sabem da minha preferência por Saisons. E vamos celebrar! Saison Dupont voltou a ser importada aqui para o Brasil, apesar do preço ser bem proibitivo.
A Saison Dupont, produzida pela Brasserie Dupont, fundada em 1844, é um ícone mundialmente reverenciado dentro do estilo. A Dupont é conhecida por sua complexidade e equilíbrio extraordinários, sendo considerada a referência absoluta. Seus atributos incluem uma coloração dourada, levemente turva, acompanhada de uma espuma abundante e persistente. No aroma, destacam-se as notas de frutas cítricas e brancas (como laranja e damasco), especiarias (cravo e pimenta) e um toque terroso rústico.
Meu primeiro contato com as Saisons não foi com Dupont. Também não foi amor à primeira vista, fui me apaixonando aos poucos. Saison Printemps (2015) da Dádiva, Saison Tank7 da Boulevard, e assim por diante…e quando chegamos em harmonização…simplesmente imbatível.
Saisons ou Weissbiers: quem ganha na harmonização?
Aprendi nos cursos que Weissbier alemã é cerveja coringa de harmonização. Na dúvida, vá de Weiss!
Discordo frontalmente dessa afirmação. E explico:
A harmonização entre cerveja e comida é um campo extenso e fascinante, repleto de nuances que ligam o universo dos sabores ao prazer histórico das refeições. Ao comparar dois estilos icônicos de cervejas artesanais, a Saison belga e a Weissbier alemã, exploramos suas características sensoriais e suas amarras técnicas para harmonização.
As Saisons são conhecidas principalmente por seu perfil cítrico e condimentado, refrescante, frequentemente associado a uma carbonatação alta que promove uma sensação borbulhante no palato, semelhante à de um espumante seco. Do ponto de vista aromático, exibem uma complexidade focada em ésteres e fenóis que variam entre frutas brancas e amarelas (damasco, pêra e laranja), além de especiarias (pimenta, coentro e uma leve picância). Algumas notas rústicas, terrosas e levemente funky são bem-vindas, frequentemente associadas a influências de Brettanomyces.
Em boca, seu corpo é leve a médio e seus toques efervescentes resultam em uma cerveja extremamente versátil e limpa, com um final seco que corta gorduras e refresca o palato. Tem um teor alcoólico bem versátil, desde session a super, o que permite uma boa amplitude de equilíbrio de forças.
A Weissbier, ou Hefeweizen, é um estilo clássico alemão à base de trigo, um ingrediente que é central para sua textura aveludada e perfil sensorial único. Vinda da Bavária, a Weissbier é uma cerveja naturalmente turva (devido à presença de leveduras em suspensão e proteínas do trigo) e se caracteriza por sua leveza e doçura sutil. Sua aparência é opaca e cremosa no copo.
Do ponto de vista aromático, predominam os ésteres que remetem fortemente à banana, junto com um toque de cravo típico produzido pela levedura alemã, que contribui para seu caráter especiado. Algumas Weissbier podem exibir aromas adicionais de tutti-frutti ou notas de baunilha, dependendo da variação.
Em boca, a Weissbier apresenta um corpo médio e uma carbonatação alta, que, em conjunto com sua textura sedosa. O dulçor maltado da Weissbier é marcante, equilibrado por um amargor baixo.
O Papa da harmonização
Garrett Oliver (sempre ele!) descreve o conceito de brilhante e opaco na página 90 do seu livro “A Mesa do Mestre Cervejeiro”:
“Sabor brilhante refere-se a um efeito seco e revigorante no palato, às vezes com um toque refrescante de acidez. E também aromas cítricos ou de casca de maçã, às vezes resultantes de levedura, mas também de algumas variedades de lúpulo […]
Sabor opaco refere-se a sabores torrados – como chocolate, toffee, caramelo e café… Trufas também têm sabor opaco e, se tiver a sorte de escolher algumas, escolha uma cerveja bastante terrosa.”
Percebem aonde estou querendo chegar? Saison transita nos dois universos, brilhante e opaco, enquanto Weissbier somente brilhante!
Saison tem mais amplitude alcoólica do que Weiss;
Ambas possuem carbonatação exuberante;
Saison são mais secas e mais ácidas – mais brilhantes! – que Weiss;
Saison são mais amargas do que Weiss – mais facilidade de equilíbrio de gorduras.
Não me parece uma competição justa.
Se você busca uma cerveja para elevar uma refeição de várias etapas, a Saison é provavelmente a melhor escolha.
Saúde! E economizem para beber Dupont!
Jayro Neto é somelelê, CFO, auxiliar administrativo e sócio da Cozalinda. É sommelier de cervejas desde 2015, campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. Também atua como diretor financeiro da Abracerva desde 2022, juiz BJCP Certified e é co-autor do livro Guia da Sommelieria Brasileira.
* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.
A cervejaria espanhola Estrella Galicia anunciou esta semana parceria com a Porsche Cup C6 Bank para a temporada de 2026. A marca terá presença exclusiva nos eventos, nas áreas de boxes e nos espaços de hospitalidade do campeonato de GT. O acordo amplia a atuação da empresa no automobilismo, que já inclui patrocínios no MotoGP e conta com a renovação da parceria com o piloto Carlos Sainz na Fórmula 1. Durante as etapas, o público terá acesso ao portfólio completo da marca, incluindo versões sem álcool e a linha premium 1906.
Na Fórmula 1, a Estrella Galicia formalizou a continuidade da parceria entre a marca Estrella Galicia 0,0 e o piloto Carlos Sainz para a temporada 2026 da F1. A marca espanhola passa a ser a cerveja oficial da equipe Atlassian Williams F1 Team, na qual Sainz cumpre seu segundo ano. O acordo completa 13 anos de colaboração entre o atleta e o grupo Hijos de Rivera. O campeonato mundial começa no fim de semana de 6 a 8 de março, com a disputa do Grande Prêmio da Austrália, no circuito de Melbourne.
Eisenbahn vende cerveja no metrô para show do AC/DC
A Eisenbahn realiza ação de venda antecipada de cerveja na estação São Paulo-Morumbi do metrô para os shows da banda AC/DC. A operação ocorreu na terça-feira (24) e retorna no sábado (28) e na próxima terça-feira (4), a partir das 12h. Os fãs podem adquirir vouchers para os estilos Pilsen e American IPA, além de um cartão consumível por R$ 7, trocável por água. O sistema visa agilizar o atendimento no Estádio do Morumbis e oferece um vale-copo retornável para quem comprar na estação.
Bodebrown lança cerveja com infusão de cereja e limão
A cervejaria Bodebrown lança neste sábado (28) a Cherry Lemon Lager, uma edição limitada com apenas 500 litros produzidos. A bebida inova ao receber infusão de cereja e limão siciliano diretamente na chopeira no momento de servir. O lançamento ocorre durante o evento Growler Day, na fábrica da marca, com entrada franca das 9h às 18h. A programação inclui shows das bandas Stormazer e King Nothing, além de opções gastronômicas e tour guiado pela linha de produção. Confira a programação completa no perfil do Instagram da Bodebrown.
A cervejaria Ashby alcançou a marca de cem medalhas em premiações nacionais e internacionais neste ano. Fundada em 1993, a empresa conquistou 37 prêmios apenas no ano passado. Entre os destaques de 2025 está o World Beer Awards, em Londres, onde o rótulo Ashby British Strong Ale foi eleito a melhor cerveja do mundo na categoria Bitter Over 5,5%. A fábrica mantém sua produção no circuito das águas paulistas e atende mais de 100 distribuidores no país.
O Grupo Heineken confirmou a renovação do patrocínio ao projeto Tiny Desk Brasil para a temporada de 2026. A iniciativa, licenciada pela NPR e produzida pela Anonymous Content Brazil em parceria com o YouTube, promove apresentações musicais em formato intimista. Na edição anterior, o projeto recebeu artistas como Liniker e Arnaldo Antunes. Segundo a empresa, a manutenção do apoio reforça a estratégia de conectar a marca com experiências culturais autênticas e a diversidade musical brasileira.
Heineken lança Craft Day para impulsionar artesanais
O Grupo Heineken anunciou a criação do Craft Day, projeto estratégico para educar o consumidor e fomentar a categoria de cervejas artesanais no varejo. A iniciativa, realizada em parceria com a rede de mercados São Vicente, no interior de São Paulo, transforma todas as sextas-feiras em um dia dedicado a rótulos como Baden Baden, Eisenbahn e Lagunitas. A ação resultou em um aumento de 25% para 35% na participação das marcas em gôndola. O projeto inclui displays exclusivos em 23 lojas e conteúdos educativos por meio da plataforma Craft Club.
Heineken Floating Bar destina R$ 2 milhões para projetos no Sul
A iniciativa Heineken Floating Bar reverteu 2 milhões de reais de seu lucro para sete projetos socioambientais em Porto Alegre e Curitiba. Em Porto Alegre, a ação realizada no Rio Guaíba em fevereiro de 2025 impactou a qualidade da água com o tratamento de 300 mil litros por biorremediação. Já em Curitiba, os recursos viabilizaram a instalação de 30 postes solares na Comunidade Dona Cida e a triagem de 25 toneladas de resíduos complexos. Segundo a marca, as ações atingiram diretamente mais de 100 mil pessoas nas duas capitais.
Há uma máxima no turismo que é praticamente inquestionável. As melhores dicas vêm das pessoas que moram no destino a ser visitado. Elas valem ouro. Então, como a capital fluminense completa 461 anos de fundação no próximo domingo, 1 de março, o Guia da Cerveja foi atrás de quem entende da cidade e de cerveja para indicar os sete locais mais relevantes para degustar cerveja artesanal no Rio de Janeiro: o sommelier de cervejas Gil Lebre.
Cerveja artesanal no Rio de Janeiro
Mas ele não é especialista qualquer. Gil foi vencedor do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2015, competição nacional que avalia os profissionais de maneira criteriosa e ampla, funcionando como seletiva para o Campeonato Mundial.
Além disso, Gil é morador de Niterói, na região metropolitana, e conhece o Rio de Janeiro muito bem, aproveitando essa experiência para promover eventos de harmonização e degustação guiada e para atuar comercialmente com as marcas Pilsner Urquell, Brooklyn e Maniacs.
E é essa experiência que também vale aqui. Quem já teve a oportunidade de aproveitar dicas de cidadãos locais sabe que, diferente das recomendações que normalmente chegam até os turistas, elas costumam ir além do circuito turístico tradicional e fogem do óbvio. Além disso, podem fazer com que o passeio seja mais autêntico e barato, tornando-o uma experiência mais prazerosa.
Aproveite a oportunidade, anote tudo e não esqueça de compartilhar com seus amigos.
Brewteco
Segundo Gil, é a rede que mais cresce entre os bares especializados em cerveja artesanal no Rio de Janeiro. Foi fundada em 2012 pelo empresário Rafael Farrá com uma unidade no Leblon. Hoje conta até com cervejaria própria, que fica na Lapa. “Além de rótulos do Brew, sempre há marcas cariocas, do Brasil todo e importadas, além de serem muito conhecidos pela gastronomia com pegada de boteco”. Hoje são nove unidades na cidade, que vão na linha “pé limpo” — cara de boteco com qualidade superior.
“O Rio estava carente de um típico pub irlandês, já que vários fecharam no período pós-pandemia. Então o Lucky veio para suprir essa necessidade”, conta o sommelier de cervejas. Inaugurado no fim de 2025, conta com um balcão de dez metros e 12 televisores com transmissão de eventos esportivos nacionais e internacionais. “Com pratos típicos, chope Dry Stout sempre na torneira, mesa de sinuca, apresentações de músicos, tudo isso vai te transportar diretamente para a Irlanda”.
O Delirium Café é um famoso pub belga que ficou famoso no mundo inteiro por conta da sua imensa carta de cervejas com mais de 2,5 mil rótulos. No final dos anos 2000, iniciou uma expansão internacional por meio de franquias. O bar do Rio de Janeiro foi inaugurado em agosto de 2010 em Ipanema, sendo o primeiro da marca na América do Sul. “Além da cerveja do elefantinho cor de rosa, tem boa variedade de chopes, muitas opções de rótulos nacionais e importados, além de gastronomia de inspiração belga”, conta Gil.
“Apesar de um taproom enxuto, eles são muito cuidadosos com a assepsia e higiene. Portanto, beber na Fonte é certeza de um chope cuidado e bem tirado”, explica Gil. Localizado no Shopping Esplanada da Barra, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense, tem boa variedade de rótulos e sempre realiza eventos na área externa.
Fundado há 15 anos pelo empresário Diego Baião, tem hoje duas casas: Botafogo e no Arpoador, em Copacabana. “O Braseiro segue investindo em carnes feitas na brasa, mas principalmente no chope artesanal que é tão conhecido. Um dos primeiros points cervejeiros do Rio (e do Brasil!)”. São cerca de 30 torneiras de chope nas duas casas, com opções nacionais e importadas.
O sommelier de cervejas Gil Lebre indica alguns dos melhores locais para beber cerveja artesanal no Rio de Janeiro (Crédito: Arquivo Pessoal)
TJK Beer
“O bar é comandado por duas sócias e possui uma clientela fiel que está sempre em busca de novidades”, conta o sommelier. Fundado em 2019, ele fica na Galeria Esmeralda, no coração da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. “A casa tem sempre boas opções locais e de fora. O charme extra fica por conta de uma disputada mesa de sinuca, em que os clientes sempre jogam entre um chope e outro”, completa.
“Copacabana está bem servida de cerveja artesanal graças ao Brewdega”, diz Gil. O bar foi aberto em 2018 nos limites do Leme, tradicional pela boemia. “Eles funcionam no sistema de autosserviço de chope, onde você serve a quantidade que quiser beber. E geladeiras cheias de opções de latas e garrafas. O ‘dono’ do bar é um simpático cãozinho, o mascote da casa”.
A Maniacs Brewing Co., de Curitiba (PR), fechou parceria com a Cervejaria Blumenau para expandir sua atuação no Sul do país a partir de março. O acordo envolve a fabricação de cervejas próprias e da marca norte-americana Brooklyn Brewery na planta de Blumenau (SC). Além disso, as empresas devem trabalhar com distribuição cruzada de produtos em seus estados. A expectativa é de crescimento de 15% em volume em 2026.
Segundo Iron Mendes, fundador e CEO da empresa, a escolha da Cervejaria Blumenau se deu não só pela qualidade, capacidade de produção e envase, mas também pela posição geográfica. “O Brasil é gigante, então a gente precisa ter centros de produção próximos das nossas áreas-alvo”, diz.
A Maniacs e a Brooklyn hoje são produzidas também em outras três fábricas no Brasil, com foco de distribuição no Sul e Sudeste do país. “Estamos sempre em busca de bons parceiros”, reforça o CEO.
A primeira produção está marcada para 5 de março, durante o Festival Brasileiro da Cerveja que acontece em Blumenau entre 4 e 7 de março. A cervejaria vai fabricar neste primeiro momento lotes de Brooklyn East IPA e Maniacs IPA sem álcool em garrafas long-neck. Mas outros rótulos de ambas as marcas podem passar a ser feitos por lá em breve, também em latas.
Mendes tem uma longa relação com a cervejaria Brooklyn Brewery, de Nova York. Ele foi importador e distribuidor dela no Brasil desde 2009. E desde 2018, a Maniacs é responsável pela gestão da marca no país. Já a Maniacs Brewing completa dez anos agora em 2026.
Distribuição cruzada
De acordo com Iron, o foco das cervejas produzidas em Blumenau é a distribuição para o estado catarinense e o Rio Grande do Sul. “Mas principalmente Santa Catarina, onde a gente vai fazer essa parceria também comercial com eles”, diz o fundador.
Ele explica que a parceria vai além da produção, envolvendo também a distribuição das marcas Maniacs e Brooklyn pela Cervejaria Blumenau em seu estado. De outro lado, a marca de Curitiba fará o mesmo com as cervejas da produtora catarinense no Paraná. “A gente ainda está alinhando, mas a expectativa é que a distribuição comece a funcionar ainda no mês de março”.
Maniacs Brewing Co. espera crescer 15% em 2026 (Crédito: Divulgação)
O fundador da Maniacs Brewing Co. também conta que as marcas estão crescendo com consistência nos últimos anos, após uma grande perda de volume com a Pandemia em 2020. Houve aumento de 22% de 2024 para o ano passado. E os planos para o futuro são simples: “continuar trabalhando e continuar fazendo cerveja boa todo dia”, diz.
A Maniacs IPA foi uma das pioneiras no mercado de cervejas artesanais a se posicionar no mercado como uma cerveja artesanal acessível, com preço entre as cervejas de alto volume e as artesanais de nicho. A inovação mais recente foi a Maniacs IPA sem álcool, lançada em 2025 que, de acordo com Iron, está “desempenhando muito bem”.
Cervejaria Blumenau e Maniacs Brewing Co.
A Cervejaria Blumenau também comemorou a parceria e a chegada das marcas. “Nós passamos por diversos desafios nos últimos anos, mas priorizamos sempre a qualidade dos produtos que são entregues ao mercado. A ampliação de duas marcas tão conhecidas através da nossa fábrica é resultado de uma década de dedicação em produzir e entregar boas cervejas”, diz o diretor executivo Valmir Zanetti.
Eli Junior, que gerencia a área comercial, destaca que a parceria vai ultrapassar os limites da fábrica e será também estratégica. “É uma colaboração, de fato. Uma construção em muitas mãos que vai levar a todos nós a um novo momento, tenho certeza”, adiciona.
Marcos Moraes, Diretor Tributário da Abracerva, fala em entrevista sobre a Reforma Tributária e o Imposto Seletivo (Crédito: Arquivo Pessoal)
Após longos debates, a Reforma Tributária entrou em seu ano-teste, tendo sido aprovada e sancionada no início de 2025. A partir de 2027, a nova mecânica de tributação e os novos impostos entrarão em vigor — incluindo o Imposto Seletivo —, dando continuidade ao cronograma de adaptação. E até o momento há muitas questões ainda em aberto.
Para o setor cervejeiro, uma das principais é o tamanho e o modo de aplicação do Imposto do Pecado, como ficou popularmente conhecido, destinado a desestimular o consumo de produtos considerados pelos legisladores como prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
E o contador e advogado tributarista Marcos Moraes, atual diretor tributário da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), alerta que as regras que diferenciam o tributo por teor alcoólico e volume de produção, conquistadas recentemente na aprovação da Reforma, não estão garantidas.
“Precisamos agora engajar com nossos deputados e senadores para que sustentem e aprovem a proposta apresentada pela Abracerva”, diz Moraes.
Isso porque o texto da Lei Complementar 214/2025 delegou a uma lei ordinária o tratamento desse tema. E o texto, que está sendo elaborado pelo Governo, deve chegar ao Congresso em breve. É essa lei que vai determinar como será o Imposto do Pecado e o impacto no bolso do consumidor.
Confira todas as explicações e os detalhes dessa situação abaixo na íntegra da entrevista com o diretor tributário da Abracerva, Marcos Moraes.
Em “que pé” estamos com a Reforma Tributária e o Imposto Seletivo no momento (pós-Carnaval), principalmente no caso da cerveja?
Já iniciamos uma jornada de transição da Reforma Tributária sobre o Consumo, jornada essa que levará 7 anos para a sua implementação; todavia, ainda não sabemos o meio e o final; digo isso porque as leis já aprovadas e publicadas alteram diversos princípios, regras básicas e algumas intermediárias, mas ainda não temos as alíquotas dos novos tributos Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e inclusive o Imposto Seletivo (IS). Fala-se em 28%. Contudo, poderá variar de 2% a 3% (provavelmente para mais) até o final da transição em dezembro de 2032.
No tocante ao IS, apelidado de “Imposto do Pecado”, que tem por finalidade sobretaxar produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas/açucaradas, veículos, minérios e bets, havia uma programação para ser apresentado pelo Governo Federal no final de 2025; entretanto, houve um adiamento justificado pela busca por um maior consenso e avaliação do impacto na carga tributária total.
Espera-se que até o final do primeiro semestre de 2026 tenhamos o projeto apresentado para discussão e aprovação no Congresso Nacional. Isso porque a legislação vigente determina que o IPI será substituído pelo IS a partir de 1º de janeiro de 2027. Vamos e temos de esperar.
A Reforma Tributária foi sancionada pelo presidente Lula no início de 2025. E, naquele momento, falava-se que o projeto que definiria as alíquotas do Imposto Seletivo sairia ainda no primeiro semestre. Já estamos no início de 2026, já estamos no ano-teste e nada ainda. Algo evoluiu sobre esse assunto de lá para cá? Qual deve ser o próximo movimento na definição das alíquotas?
A Lei Complementar 214/2025, no parágrafo 7º do artigo 422, delegou a uma lei ordinária tratar desse tema; esse projeto de lei ainda não foi apresentado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional para debate e aprovação.
Até o momento, há previsão em lei para que o Imposto Seletivo inicie em 1º de janeiro de 2027 para uma lista pequena de produtos. Todavia, falta informar quais serão as alíquotas.
Cabe ressaltar que o Imposto Seletivo terá duas alíquotas para as bebidas alcoólicas: a alíquota Ad Valorem (percentual sobre o valor da venda) e a alíquota Ad Rem (valor fixo em reais por unidade de medida, como o litro), que será atualizado anualmente.
Agora, qual a alíquota, o valor por litro, bem como quanto será o escalonamento pelo teor alcoólico e pelo volume de produção, não temos nada, salvo expectativas.
O setor cervejeiro teve três conquistas importantes na Reforma: o tratamento diferenciado para pequenos produtores de bebidas alcoólicas em função do volume produzido e da categoria de produto; a previsão de que não haverá aumento da carga tributária; e o texto que prevê alíquotas progressivas do Imposto Seletivo conforme o teor alcoólico das bebidas. Esses ganhos estão garantidos ou ainda podem sofrer algum tipo de revés?
Alcançamos uma importante vitória por já termos incluído na lei a previsão de tratamento tributário diferenciado para os pequenos produtores, com progressividades em função do volume de produção; isso é fato. Contudo, há um ponto de atenção e necessidade de maior engajamento do setor, em especial das micro e pequenas cervejarias, junto aos deputados federais e senadores em seus respectivos estados.
Temos que fazer valer o direito previsto na Lei Complementar (LC) para que tenhamos a aprovação de Lei Ordinária (LO) prevendo tal escalonamento por volume de produção; até o presente momento temos apenas os parágrafos 7º e 8º do artigo 422 da LC 214/2025 dizendo que poderá haver tratamento diferenciado, conforme abaixo:
LC 214/2025, artigo 422.
§ 7º As alíquotas aplicáveis a bebidas alcoólicas poderão ser estabelecidas de modo a diferenciar as operações realizadas pelos pequenos produtores, definidos em lei ordinária.
§ 8º Para assegurar o disposto no § 7º, as alíquotas poderão ser:
I – progressivas em função do volume de produção; e
II – diferenciadas por categoria de produto.
[grifos do entrevistado]
Precisamos agora engajar com nossos deputados e senadores para que sustentem e aprovem a proposta apresentada pela Abracerva.
Tratar só de números pode deixar o tema abstrato. Então, qual pode ser o impacto no mercado cervejeiro e no consumidor, em caso de alíquota favorável e desfavorável do Imposto Seletivo?
A Abracerva vem acompanhando muito de perto esse tema, justamente para alcançar tudo o que já está aprovado. E não será diferente com o Imposto Seletivo. Já apresentamos e debatemos diversos cenários e possibilidades de escalonamento por faixa de volume de produção. A última apresentada em meados de 2025, conseguimos demonstrar da necessidade de se aumentar das atuais 2 faixas de escalonamento dos IPI, PIS e COFINS, para 5 faixas do Imposto Seletivo.
Se nossa sugestão for aceita pelo Governo Federal e pelo Congresso Nacional, poderemos ter um avanço relevante para as pequenas cervejarias na tributação do Imposto Seletivo.
Entretanto, como ainda não sabemos qual será a alíquota base do IS, difícil precisar como ficará o escalonamento proposto e assim poder mensurar qualquer impacto.
Como as cervejarias devem se preparar para o que está por vir? Há alguma “lição de casa” que possa ser feita?
Eu entendo que sim: todos os empresários precisam estar preparados para a transformação que estamos começando, não apenas o setor cervejeiro.
Isso porque o Simples Nacional, que foi uma conquista do setor há dez anos, resistirá à reforma tributária e permanecerá vigente. Todavia, a restrição ao envio de créditos ao cliente do varejo aumentará.
Prevendo maiores dificuldades devido ao aumento nas restrições ao crédito de impostos, os fabricantes optantes por essa modalidade poderão ter mais dificuldade de comercializar em determinados canais de venda.
A reforma tributária está prevendo que os optantes possam recolher de forma híbrida o IBS e o CBS (fazendo a não cumulatividade), adicionalmente aos tributos do Simples.
A opção ocorrerá todo início de ano, valendo para os 12 meses do ano. Se o empresário não fizer a conta corretamente e optar errado ou deixar de optar pela forma híbrida, poderá ter que suportar a decisão pelos próximos 12 meses.
Neste sentido, o planejamento estratégico e tributário das operações será fundamental para a sobrevivência e para não pagar mais impostos do que o realmente devido.
Algum conselho para os empresários?
Acho importante que cada empresário inicie suas análises e seu planejamento do futuro do seu negócio, onde ele está e aonde quer chegar, quem são e onde estão seus atuais clientes e fornecedores. Isso será pertinente para que cada um encontre as oportunidades e os desafios que a reforma tributária imporá aos empresários brasileiros. Onde há desafios, há oportunidades.
Em um cenário onde o consumo global e europeu de cerveja tem apresentado retração, uma cervejaria histórica do Velho Continente está nadando contra a maré. A checa Budweiser Budvar — que, por questões de disputas de direitos de marca com a homônima americana, ficou conhecida no Brasil por muito tempo como Checvar — acaba de anunciar um novo recorde histórico de vendas referente ao ano de 2025.
Segundo o site especializado Inside Beer e a emissora Radio Prague International, a cervejaria fechou o ano passado com a expressiva marca de 1,946 milhão de hectolitros comercializados, um volume recorde. O volume representa um aumento de 1% em relação ao ano anterior e consolida o terceiro ano consecutivo de crescimento na produção da empresa.
Para o diretor da cervejaria, Petr Dvořák, esse crescimento contínuo em meio a um mercado em declínio não é obra do acaso. Segundo o executivo, o avanço reflete a forte confiança do consumidor na marca e a alta qualidade inegociável de suas cervejas.
Os dados mostram que a estratégia da empresa tem funcionado bem em diferentes frentes, mesclando tradição com adaptação a novas tendências de consumo. No mercado interno da República Checa, as vendas totais subiram 3%. O grande destaque, no entanto, foi o salto nas embalagens modernas: as vendas de cerveja em lata dispararam impressionantes 25% no país, enquanto as tradicionais garrafas mantiveram sua estabilidade. O estilo clássico da marca também puxou o resultado, com as cervejas Lager registrando um crescimento de 17% nas vendas domésticas.
O sucesso não ficou restrito às prateleiras dos supermercados. A cervejaria registrou expansão também no setor de hospitalidade, com alta nas vendas para bares, restaurantes e hotéis.
Exportações da Budweiser Budvar
Budweiser Budvar é uma marca tradicional da República Checa (Crédito: Divulgação)
O mercado externo é outro pilar fundamental nessa receita. A Budweiser Budvar exporta para mais de 70 países e, de acordo com o Inside Beer, o bom desempenho internacional foi impulsionado pelo chope e pelas chamadas “cervejas de tanque”, que registraram volumes maiores de saída para o exterior.
Fundada em 1895, a Budvar tem uma particularidade que chama a atenção no mercado atual: ela é uma empresa 100% estatal, controlada pelo governo checo. Isso a posiciona como um raro e lucrativo caso de sucesso de gestão pública no competitivo setor cervejeiro europeu.
Turismo cervejeiro
Além do sucesso nos copos, a marca também celebra números positivos no turismo. O centro de visitantes da cervejaria, localizado na cidade de České Budějovice (berço histórico da marca), consolidou-se como um concorrido destino para os amantes da bebida, recebendo mais de 50 mil turistas ao longo de 2025.
No fim das contas, a resposta da Budweiser Budvar para a crise do mercado parece simples na teoria, mas exige rigor na prática. É manter a tradição e a qualidade do líquido, adaptar-se às novas preferências de embalagens do público e apostar forte na experiência de marca.