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Heineken 0.0 realiza 1ª edição da Finish Line Run no Rio de Janeiro

A capital fluminense recebe, no próximo dia 19 de abril, a primeira edição da Finish Line Run, corrida de rua proprietária da Heineken 0.0. Após estrear em São Paulo em 2025, o evento chega ao Rio de Janeiro com um percurso de 5 quilômetros focado na experiência de bem-estar e na conexão entre os participantes. A largada e a chegada ocorrem na Praça Mauá, em frente ao Museu do Amanhã, a partir das 7h30.

As inscrições para a Finish Line Run são gratuitas e limitadas. O primeiro lote foi aberto na quinta-feira (9). A organização vai disponibilizar o segundo a partir do meio-dia desta sexta-feira (10) por meio do Hei App, o aplicativo oficial da marca. Para participar, o interessado deve ser maior de 18 anos, baixar o aplicativo, selecionar o banner do evento e resgatar o ingresso para gerar o QR Code de confirmação.

O trajeto inédito percorre pontos históricos da região central e portuária do Rio, como a Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, a Avenida Venezuela e a Rua do Acre. Diferente de competições tradicionais focadas apenas em performance, a Finish Line Run propõe ativações ao longo do percurso para estimular a interação entre os corredores. “Nosso objetivo é transformar a linha de chegada em um ponto de encontro e celebração”, afirma Bruna Rosato, gerente de marketing da Heineken 0.0 no Brasil.

Ecossistema digital e o Finish Line Run e Club

A estratégia da marca no território da corrida se expande para o ambiente digital com o lançamento do Finish Line Club. Em parceria com o aplicativo Strava, a iniciativa cria uma comunidade na qual as rotas de treino terminam em bares e cafés, incentivando o brinde pós-exercício. A plataforma oferece conteúdos exclusivos, desafios e recompensas, reforçando o ritual de socialização que é marca registrada da cerveja zero álcool.

O clube já está ativo e pode ser acessado por qualquer usuário do Strava. Segundo Yan Prado, diretor-executivo de criação da LePub, a agência responsável pela iniciativa, o foco do projeto é ressignificar o esforço físico como um catalisador de encontros presenciais, conectando o desempenho esportivo ao lifestyle equilibrado da marca.

Retirada de Kits e Premiação

Os corredores inscritos deverão retirar o kit oficial no dia 18 de abril, das 10h às 17h, no espaço Nosso Parque, localizado no Parque dos Patins, na Lagoa. O kit contém uma camiseta oficial da prova, número de peito, ecobag de algodão e uma unidade de Heineken 0.0. No dia da prova, a concentração começa às 6h30, com premiação prevista para as 8h30.

Casa de experiências em São Paulo

Além da expansão da Finish Line Run para o Rio de Janeiro, o Grupo HEINEKEN anunciou a abertura da Heineken House para maio de 2026, em São Paulo. Localizada no Parque Villa-Lobos, a primeira casa de experiências da companhia no país funcionará como um hub gratuito de cultura, entretenimento e lazer. O espaço contará com áreas de gastronomia, música e um coworking de acesso livre, com ambientes inspirados nas marcas do portfólio do grupo.

O local também será a sede da Casa do Futuro – Restaurante Escola Instituto Heineken. Em parceria com o SENAC, a iniciativa oferecerá formação profissional gratuita para jovens em situação de vulnerabilidade social, focando na capacitação para o setor de bares e restaurantes. A companhia deve dar mais informações sobre a data oficial de inauguração e a agenda completa de atrações em breve.

Serviço

  • Finish Line Run Rio de Janeiro
  • Data da prova: 19 de abril (domingo)
  • Horário: Concentração às 6h30 | Largada às 7h30
  • Local: Praça Mauá, 1 – Centro (em frente ao Museu do Amanhã)
  • Inscrições: gratuitas pelo Hei App (disponível para Android e iOS)
  • Datas das inscrições: Lote 1 (9/04 às 12h) | Lote 2 (10/04 às 12h)
  • Retirada de Kit: 18 de abril (sábado), das 10h às 17h, no Parque dos Patins (Av. Borges de Medeiros, 1518 – Lagoa)
  • Como entrar no clube: Acesse o Strava e busque por “Finish Line Club” para aderir à comunidade e participar dos desafios.

Cerveja sem álcool tem álcool? Respondemos às principais dúvidas sobre o produto

O mercado de cervejas sem álcool cresceu 538% em 2024, segundo o Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Brasil já é o segundo maior consuidor do mundo. Um aumento tão grande e tão rápido faz com que um produto relativamente novo chegue aos consumidores em velocidade redorde, o que pode gerar muitas dúvidas. Nos buscadores da internet, perguntas como “cerveja sem álcool, tem álcool?” são repetidas à exaustão. E o número de respostas incorretas também é enorme.

Apesar desse tipo de produto não ser exatamente uma novidade, as tecnologias pelas quais ele é obtido se diversificaram. A legislação também foi atualizada recentemente, o que pode gerar ainda mais confusão. E há ainda um crescente número de termos específicos relacionados à atual onda de saudabilidade que o brasileiro está vivendo: cervejas zero, desalcolização, sem glúten, sem açúcar, low carb, etc.

Pensando em ajudar você a navegar nesse novo mundo, o Guia da Cerveja foi atrás das respostas às principais dúvidas manifestadas na internet sobre cervejas sem álcool e zero álcool. Assim, você vai poder curtir elas de forma muito mais informada e consciente do que está consumindo.

Cerveja sem álcool tem álcool?

A cerveja é obtida a partir do amido presente nos grãos, um tipo de carboidrato que é quebrado em açúcares menores no processo de fabricação e depois fermentado pelas leveduras. É justamente na fermentação que esses açúcares são consumidos pelo micro-organismo, que libera álcool.

Existem hoje vários métodos para fazer uma cerveja sem álcool. O mais tradicional é a fermentação interrompida, estratégia na qual os cervejeiros interrompem a atividade das leveduras já nas primeiras horas, antes delas consumirem muitos açúcares, gerando quantidades muito pequenas de álcool.

Na legislação brasileira, existem hoje duas categorias desse tipo de produto. A primeira, chamada simplesmente de “cerveja sem álcool”, é definida como aquela que deve conter, no máximo, 0,5% de álcool. Isso é dez vezes menos que uma cerveja regular com teor alcoólico de 5%.

Ou seja, apesar de ser uma quantidade muito pequena, esse tipo de produto ainda pode ter, sim, algum álcool residual da fermentação da bebida. A quantidade varia de marca para marca.

Cerveja zero tem álcool?

Essa é a segunda categoria de cerveja sem álcool da lei brasileira. Para ser chamada de “cerveja zero”, “zero álcool”, “zero % álcool”, “0,0%”, a bebida tem que ter no máximo 0,05%, uma quantidade ínfima (cem vezes menor que uma cerveja regular). 

Ou seja, se for classificada como zero, a cerveja tem quantidade de álcool realmente muito pequena, quase insignificante.

Esse tipo de produto é normalmente feito por meio de técnicas mais modernas, como osmose reversa ou destilação a vácuo  (também conhecida como destilação a frio). Nesse último método, a cerveja é produzida normalmente. Depois, é colocada em câmaras de vácuo e aquecida gentilmente. Sem pressão, o álcool evapora em uma temperatura muito menor (30 °C a 40 °C), sendo posteriormente condensado e retirado como numa destilação.

O resultado é uma cerveja com uma quantidade irrisória de álcool residual. O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) lançou recentemente um site especialmente sobre a cerveja zero.

Cerveja sem álcool acusa no bafômetro?

A resposta é um grande “depende”!

Estudos mostram que, em média, uma pessoa metaboliza uma lata de cerveja de 350 ml em uma ou duas horas. Como uma cerveja sem álcool (até 0,5%) tem dez vezes menos álcool que a média de uma comum, podemos estimar que uma lata seria processada em aproximadamente um décimo do tempo. Ou seja, 6 a 12 minutos.

Ou seja, dá para dizer que há uma segurança relativa, já que o álcool estaria sendo processado à medida que se consome o produto. Bastaria não soprar o bafômetro logo após o consumo e não beber mais que uma cerveja a cada 12 minutos.

No entanto, há muitos fatores que podem mudar essa conta: a quantidade que foi ingerida, em quanto tempo, a taxa de absorção e metabolização do álcool no organismo — que ainda  podem variar muito conforme sexo (mulheres metabolizam o álcool de forma diferente de homens), peso, tamanho, constituição corporal, condições de saúde e até se houve ou não algum tipo de alimentação antes ou durante o ato de beber. 

E isso só determinaria a concentração de álcool no sangue. Além disso, seria preciso correlacionar essa quantidade com o que é medido no bafômetro, que é a quantidade de álcool exalado no ar pelos pulmões.

Por isso, não é possível afirmar com precisão.

Cerveja zero acusa no bafômetro?

Usando o mesmo raciocínio e as advertências acima, como uma cerveja zero tem cem vezes menos álcool, seria preciso entre 30 segundos e um minuto e 15 segundos para que o organismo metabolize uma lata de cerveja. Uma margem mais segura que a demonstrada acima. 

Cerveja sem álcool tem açúcar?

A base da cerveja são “açúcares”, que são fermentados pelas leveduras. No entanto, em geral, esse micro-organismo não consome todo o material e podem sobrar diferentes tipos de açúcares ou carboidratos no final do processo de fabricação. Os métodos de produção de cerveja sem álcool não modificam isso.

E tem calorias?

As calorias da cerveja vêm basicamente de dois componentes diferentes: dos “açúcares” que sobram após a fermentação ou do álcool. Cada carboidrato se converte no nosso organismo em 4 quilocalorias. Já o álcool tem densidade energética mais alta, fornecendo 7 quilocalorias por grama.

Portanto, esse tipo de bebida não tem justamente a parte mais calórica de uma cerveja convencional. Mas mantém as calorias dos carboidratos, fazendo dela, em geral, uma bebida de baixa caloria.

Cerveja sem álcool engorda?

Já vimos acima que, como ela não tem álcool, tem menos calorias. Mas sobram alguns carboidratos residuais. Apesar de ser muito menos calórica do que cervejas convencionais, a questão de engordar ou não depende também de quantos carboidratos há no produto escolhido e da quantidade consumida.

Uma cerveja convencional tem cerca de 140 quilocalorias numa lata de 350 ml. O mesmo volume de uma sem álcool pode variar entre 40 e 70 quilocalorias (confira o infográfico com a quantidade de algumas das principais marcas).

Para chegar à quantidade calórica de uma cerveja regular, você teria que beber duas latas de 70 ou três unidades de 40 calorias.

Faz mal?

Pelo contrário. O maior risco relacionado ao consumo exagerado de cerveja é o excesso de absorção de álcool. Sem ele, os potenciais malefícios à saúde são muito menores. De qualquer forma, para quem tem comorbidades de saúde, a recomendação é sempre consultar um médico para analisar caso a caso. Lembrando que toda a bebida alcoólica deve ser bebida com moderação.

Imposto Seletivo: diferenciação por teor alcoólico é prática mundial

Com a aproximação do debate no Congresso do projeto de lei que vai regulamentar o Imposto Seletivo no Brasil — novo tributo extrafiscal criado pela Reforma Tributária que busca desestimular o consumo de produtos considerados pelos legisladores como nocivos à saúde ou ao meio ambiente —, a discussão sobre a tributação de bebidas alcoólicas também cresce. No entanto, a observação das políticas fiscais adotadas ao redor do mundo oferece um caminho claro sobre as melhores práticas. No cenário internacional, a adoção de impostos proporcionais ao teor alcoólico da bebida consolidou-se como a abordagem recomendada e eficiente por economistas e autoridades de saúde. 

Esse modelo estabelece a premissa direta de que bebidas com maior concentração de álcool devem ter carga tributária maior, enquanto as de menor teor alcoólico, como as cervejas, precisam ser taxadas de forma mais branda.

Benefícios à economia

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a vasta maioria dos países aplica impostos seletivos sobre o álcool. A entidade defende historicamente que desenhar essas taxas com foco no volume de álcool puro contido na embalagem é uma das ferramentas mais eficazes para mitigar os danos à saúde pública. 

Essa mesma visão é compartilhada e detalhada de forma econômica pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Em notas técnicas e diretrizes para os países-membros, o FMI argumenta que o imposto específico baseado na quantidade de álcool puro corrige de maneira muito mais precisa as chamadas externalidades negativas — os custos sociais, médicos e de segurança pública gerados pelo consumo abusivo. 

Tributação sobre álcool por volume

Para a indústria cervejeira, sejam as grandes fabricantes ou as artesanais, esse entendimento global é fundamental. Um artigo focado em políticas fiscais publicado pela Tax Foundation defende categoricamente que tributar as bebidas com base no “Álcool por Volume” (ABV) é o formato mais lógico e justo. 

Segundo o centro de estudos, os custos sociais do álcool derivam do consumo da substância em si, e não do valor agregado do produto, da marca ou do volume de líquido (água) na garrafa. Sendo assim, um imposto atrelado unicamente ao preço final da bebida (ad valorem) falha ao punir consumidores de cervejas artesanais ou premium de baixo teor alcoólico, enquanto alivia o peso sobre destilados baratos e altamente inebriantes. 

No Reino Unido, Austrália e Suécia

Na prática, diversas grandes economias já operam sob essa lógica. No Reino Unido, por exemplo, uma reforma implementada em 2023 passou a tributar as bebidas estritamente com base no teor alcoólico (ABV), o que encareceu os destilados pesados e, em contrapartida, criou alíquotas reduzidas para cervejas mais leves. Bebidas com teor alcoólico abaixo de 3,5% têm taxas reduzidas, enquanto aquelas acima de 8,5% são mais tributadas.

Há também uma redução na taxa para draft beer (cervejas servidas em torneiras por meio de pressão de gás, como o nosso chope) e Real Ales servidas nos pubs visando apoiar a hospitalidade. Essa redução por critério especial do imposto do álcool é semelhante ao que propõe a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) no Brasil pelo tamanho da produção da cervejaria.

Já na Austrália, o modelo fiscal é desenhado para desestimular a embriaguez rápida: os destilados enfrentam algumas das maiores taxas do mundo, enquanto as cervejas se beneficiam de um escalonamento onde rótulos de baixo, médio e alto teor alcoólico possuem encargos diferentes, incentivando as cervejarias a produzirem formulações mais brandas. 

Outro caso emblemático de política de saúde pública unida à tributação é o da Suécia, que aplica um imposto estritamente proporcional ao volume de etanol da garrafa, resultando em uma carga tributária alta para bebidas quentes e muito mais acessível para as cervejas, direcionando o consumo nacional para escolhas de menor risco. Alemanha, República Checa e até a China também operam com sistemas que diferenciam o teor alcoólico.

O risco de criar distorções

A importância de estruturar bem esses impostos é validada pela ciência. Uma extensa análise sobre as estruturas globais de tributação do álcool, disponível na National Library of Medicine (NIH), demonstra que mercados que falham em diferenciar o teor alcoólico acabam criando distorções prejudiciais. 

O estudo aponta que, em sistemas engessados ou baseados apenas no volume de bebida, os destilados ganham uma vantagem competitiva artificial que estimula o consumo de opções de maior risco em detrimento das bebidas fermentadas.

Apesar de o modelo de diferenciação por ABV ser reconhecido como a melhor prática, instituições globais alertam que a calibragem desses valores ainda é um desafio. A lógica, no entanto, permanece a mesma: qualquer aumento deve seguir a proporção da graduação alcoólica para ser efetivo.

Debate sobre Imposto Seletivo no Brasil

Observar o mercado externo deixa uma lição valiosa para o setor no Brasil, especialmente no atual cenário de regulamentação da Reforma Tributária. Com a iminente implementação do Imposto Seletivo (IS) — o chamado “Imposto do Pecado” —, a calibragem das alíquotas tornou-se o centro das discussões no Congresso Nacional. 

Isso porque a lei da Reforma (Emenda Constitucional 132/2023) define apenas que a alíquota “pode” ser feita por diferenciação de teor alcoólico, mas não garante a adoção desse modelo. A palavra final será dada pela Lei Complementar que deve ser enviada em breve pelo Executivo ao Congresso.

Entidades representativas, como a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), vêm atuando para garantir que a lei respeite a diretriz de taxar as bebidas de forma progressiva pelo teor alcoólico. 

Um levantamento feito pelo Guia da Cerveja em 2024 mostrou que 77% das cervejarias já apontam a carga tributária como o principal obstáculo para o negócio, e falhar na diferenciação entre cervejas (incluindo as de baixo teor) e destilados pesados asfixiaria ainda mais as pequenas e médias fábricas. 

A adoção de impostos progressivos de acordo com o ABV faz os países estabelecerem um padrão que incentiva a moderação, promovendo um ambiente de negócios muito mais racional.

O paradoxo da cerveja no Irã: da tradição milenar à proibição do álcool

Foi num jarro do sítio arqueológico de Godin Tepe, no vale de Kangavar, oeste do atual Irã, que arqueólogos encontraram na década de 1990 os primeiros vestígios químicos de uma cerveja da antiguidade. E a bebida tinha mais de 5,5 mil anos de idade. Essa nação, reconhecida como um dos berços ancestrais da bebida mais popular do planeta, vivencia hoje um paradoxo interessante. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o álcool foi varrido das prateleiras, dando lugar a uma indústria pulsante, mas estritamente sem álcool. 

Com a guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã, o mundo voltou seus olhos para o Oriente Médio mais uma vez. E um mergulho na cultura cervejeira iraniana pode ajudar a entender um pouco melhor a história daquele país bem como descobrir como uma tradição milenar se adaptou a leis teocráticas, trocando o teor alcoólico por sabores locais.

A famosa pedra cervejeira

Entre as décadas de 1960 e 1970, uma equipe liderada por T. Cuyler Young Jr., do Royal Ontario Museum, escavou o sítio de Godin Tepe. O local era um importante posto comercial na Cordilheira de Zagros, conectando as planícies da Mesopotâmia ao planalto iraniano. As descobertas foram muitas e um volume extenso de material foi coletado para análises posteriores.

Devido à complexidade do trabalho laboratorial, foi somente na década de 1990 que a arqueóloga Virginia Badler identificou algo curioso. Ao analisar fragmentos de cerâmica recuperados, notou ranhuras profundas no interior de um jarro. Dentro delas, havia um resíduo amarelado e pálido que parecia “estranho” para um recipiente comum.

Badler enviou amostras para o Dr. Patrick McGovern, um pioneiro na “arqueologia molecular”. Usando técnicas avançadas de análise química, eles identificaram material popularmente chamado de “pedra cervejeira”, que funciona como uma impressão digital química da bebida. Trata-se de um composto que se forma a partir da mostura, do “cozimento” do malte com água e normalmente se deposita no fundo das tinas.

Até então, era sabido que os sumérios, uma antiga civilização mesopotâmica, bebiam cerveja por causa de tabuletas de argila com pictogramas e escrita cuneiforme. No entanto, não havia evidência física do líquido. 

Argo Factory, centro de arte contemporânea em Teerã (Crédito: Reprodução / Site oficial da Pejman Foundation)
Argo Factory, centro de arte contemporânea em Teerã (Crédito: Reprodução / Site oficial da Pejman Foundation)

No mesmo local, a equipe de McGovern também encontrou potes com resíduos de ácido tartárico, o que prova a existência de vinho. Ou seja, tanto a bebida de uva quanto a cerveja de cevada já eram produzidas na região por volta de 3.500 a.C. A descoberta foi publicada num artigo científico na revista Nature em 1992.

Atualmente, as descobertas mais antigas sobre cerveja são restos de amido fermentado encontrados em escavações na Caverna de Raqefet, em Israel, datando de cerca de 13 mil anos, associados à cultura natufiana.

Cerveja no Irã hoje

A produção de cerveja com álcool é ilegal no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. No entanto, o país possui uma forte indústria de cervejas sem álcool, com marcas populares como Istak e Delster. Vendidas sob o rótulo de bebidas de malte, elas oferecem um paladar que vai do estilo Lager tradicional a combinações exóticas inspiradas na agricultura local, como tâmaras e maçãs-verdes.

Mas nem sempre foi assim. Antes da Revolução, no regime do Xá Mohammad Reza Pahlavi, que governava desde 1941, o álcool era permitido e várias cervejarias abasteciam o país. A mais famosa era a Argo, de Teerã, construída no início da década de 1920, sendo considerada uma das primeiras do país.

Ela fechou pouco antes da mudança de regime por questões operacionais e ambientais. Recentemente, o edifício histórico foi reformado, mantendo suas características industriais, e tornou-se a Argo Factory, um importante centro de arte contemporânea na capital.

Embora o consumo público seja proibido, existe um mercado informal de bebidas alcoólicas. Além disso, minorias não muçulmanas oficialmente reconhecidas (como cristãos armênios, judeus e zoroastrianos) têm permissão legal para produzir e consumir bebidas alcoólicas de forma privada, para uso pessoal e ritos religiosos, conforme garantido pela constituição iraniana.

Entrevista: Brasil expande participação no World Beer Cup e comprova qualidade da produção

Conhecida como a “Copa do Mundo da Cerveja”, a competição norte-americana de cervejas World Beer Cup (WBC) se consolidou como o principal termômetro de excelência na indústria cervejeira global. Nos últimos anos, o Brasil tem marcado uma presença cada vez mais notável, ampliando o número de inscrições e prêmios. Para a edição de 2026, a delegação brasileira mais uma vez mostra sua força, com 44 cervejarias enviando 151 rótulos para a disputa — crescimento de aproximadamente 5% em amostras. Os números comprovam que o país já é um competidor de peso, capaz de brilhar tanto na inovação com bebidas de identidade local quanto na execução impecável de estilos clássicos.

O WBC é o concurso de cervejas organizado pela Brewers Association (BA) desde 1996. Inicialmente realizado bianualmente, passou a acontecer ano a ano desde 2022. E para entender como a organização do evento enxerga o cenário brasileiro e sul-americano, o Guia da Cerveja conversou com Chris Williams, Advanced Cicerone® e diretor de competições da BA. 

Além da maturidade e da qualidade alcançadas pela cerveja nacional, por trás dessa maior participação dos últimos anos está a parceria entre a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e a BA. Desde 2023, as cervejas premiadas com medalha de ouro na etapa final da Copa Cerveja Brasil, concurso anual da entidade local, ganham a inscrição para o WBC do ano seguinte. Enquanto não houve rótulos premiados em 2022 e 2023, as edições de 2024 e 2025 renderam três medalhas cada para nosso país. Todas de rótulo que saíram da seletiva nacional.

Na entrevista a seguir, Williams detalha a evolução da participação do Brasil no WBC, aborda os desafios logísticos enfrentados pelas cervejarias da América do Sul para enviar suas amostras e explica como uma medalha na competição pode transformar o patamar comercial de uma marca no disputado mercado cervejeiro.

Olhando para o World Beer Cup 2026, como a participação das cervejarias brasileiras evoluiu nos últimos anos? Vocês percebem um crescimento constante no interesse do nosso país?

Essa é uma ótima pergunta. Para 2026, estamos vendo uma forte participação do Brasil, com 44 cervejarias inscrevendo 151 cervejas. Quando você analisa ao longo do tempo, no entanto, a participação flutuou um pouco de ano a ano. Por exemplo, em 2022 tivemos 41 cervejarias com 157 inscrições; em 2023, caiu para 33 cervejarias e 118 cervejas, e depois se recuperou em 2025, com 45 cervejarias enviando 145 amostras. Então, você pode notar que não é um crescimento estritamente linear, mas o que vemos é um engajamento consistente e significativo dos cervejeiros brasileiros. E, tão importante quanto isso, continuamos a ver essa presença refletida nos resultados das premiações, o que realmente atesta a qualidade da comunidade de cerveja artesanal do Brasil.

Nas edições recentes, cervejarias brasileiras conquistaram medalhas em categorias clássicas e tradicionais, como Imperial Stouts e Old Ales. Como a Brewers Association vê os mercados internacionais se destacando nesses estilos tradicionais ao lado de cervejeiros americanos e europeus?

Isso é verdade! Acredito que isso demonstra a imensa dedicação e a paixão pela qualidade presentes na cena da cerveja artesanal brasileira. Existe uma apreciação clara pelos estilos de cerveja tradicionais e globais, mas, ao mesmo tempo, você vê algumas das cervejas mais empolgantes e criativas vindo do Brasil. É a mistura perfeita entre a excelência nos estilos tradicionais de produção e cervejas únicas, que destacam a vibrante cultura brasileira. A melhor parte é que isso não se restringe apenas ao Brasil, à Europa ou aos Estados Unidos. Excelentes cervejeiros de qualquer lugar do mundo também dedicam seu tempo e paixão para aperfeiçoar um estilo com maestria, tendo chances iguais de levar para casa uma medalha por uma cerveja excelente em um estilo tradicional. É por isso que o World Beer Cup é tão empolgante para a comunidade global de cerveja e sidra.

Além do prestígio, há cervejarias que expandem sua produção ou abrem novos canais de exportação após uma vitória no World Beer Cup. Da sua perspectiva, quais são as histórias de sucesso comercial mais empolgantes ou tendências de crescimento de mercado que você já viu cervejarias internacionais alcançarem após conquistarem uma medalha?

Você tem razão, tudo começa com o imenso prestígio de conquistar esse prêmio. Ouvimos constantemente dos participantes que uma medalha no World Beer Cup não é apenas um prêmio que estabelece e acelera a credibilidade dentro de um mercado cervejeiro global concorrido, mas também atua como um catalisador capaz de impulsionar o crescimento de forma mais rápida do que a entrada tradicional no mercado.

Cervejarias como a japonesa Spring Valley Brewery (premiada entre 2023 e 2025) ou a belga Omer Vander Ghinste usaram esse reconhecimento para reforçar seu posicionamento premium em seus respectivos mercados, ganhando uma vantagem positiva nas negociações de exportação. O prêmio é, em sua essência, uma elevação da marca com o objetivo de ajudá-los a ganhar influência no mercado, atraindo a atenção de importadores ou incentivando parceiros atuais a ampliarem seus compromissos. Ele ajuda a empresa a contar uma história mais forte, e as histórias de sucesso mais cativantes costumam ser das cervejarias que utilizam o prêmio não apenas como reconhecimento, mas como uma ferramenta estratégica para expandir sua presença em um mercado saturado.

Sabemos que entrar em uma competição internacional envolve um comprometimento logístico e financeiro significativo para as cervejarias sul-americanas, especialmente considerando as taxas de câmbio. Como a BA vê esse nível de dedicação dos cervejeiros brasileiros, e existem esforços contínuos para tornar o processo de envio e consolidação internacional mais fácil para eles?

Vemos a participação internacional como algo totalmente essencial para o papel do World Beer Cup na comunidade cervejeira global. O nível de comprometimento que temos visto dos cervejeiros brasileiros, e que continuamos a ver das cervejarias sul-americanas de forma mais ampla, realmente destaca o quão significativa a competição é como um parâmetro global de excelência. Ao mesmo tempo, estamos perfeitamente cientes de que participar envolve desafios logísticos e financeiros reais, exatamente como você mencionou.

Por causa disso, é uma prioridade contínua para nós nos esforçarmos para reduzir essas barreiras de entrada, a fim de manter forte a participação das cervejarias da América do Sul. Com isso em mente, estamos sempre de olho em refinar esse processo, trabalhando de perto com parceiros logísticos, avaliando pontos de consolidação e observando onde a participação está crescendo rapidamente para determinar onde os ajustes podem causar o maior impacto. Nosso objetivo é tornar o processo o mais tranquilo e acessível possível, sem comprometer a integridade da competição. Sabemos que sempre há mais a ser feito, e nosso esforço contínuo é diretamente moldado pelo engajamento global que observamos, especialmente em regiões como a América do Sul.

Com um campo global tão diverso e mais de 100 estilos, quais são alguns dos passos que a BA toma para garantir que as inscrições internacionais, que podem ser produzidas com realidades locais diferentes, sejam avaliadas de forma justa e precisa?

No cerne da competição, tudo é fundamentado nas diretrizes de estilo. Cada cervejaria inscreve sua cerveja de acordo com esses parâmetros, e os juízes são treinados para avaliar rigorosamente com base nesses critérios na mesa. Como o julgamento é completamente às cegas, os juízes avaliam baseando-se apenas no que está na taça. Nenhuma informação sobre a cervejaria, país de origem ou quaisquer outros detalhes que possam introduzir algum viés é fornecida, o que é fundamental para garantir a justiça em um campo global tão diversificado.

Além do julgamento, também damos uma ênfase significativa à forma como a cerveja é manuseada assim que chega. Garantimos que as cervejas sejam armazenadas e servidas em condições ideais, desde o recebimento até o momento em que são julgadas. Controle de temperatura, organização cuidadosa e práticas de serviço padronizadas são apenas algumas das muitas ferramentas que usamos para criar o cenário mais igualitário possível. Fazemos isso com um único objetivo em mente: seja uma cerveja vinda da rua de trás ou do outro lado do mundo, ela será avaliada de forma justa, precisa e exclusivamente pela maneira como representa o estilo na taça.

Confira todas as cervejas brasileiras já premiadas no World Beer Cup:

MedalhaNome da CervejaCervejariaCategoriaPaísAno
OuroQuadruppel 277277 Craft BeerBelgian-Style Strong Specialty AleBrazil2025
OuroCanoa Quebrada277 Craft BeerGoseBrazil2025
OuroSim! Cerveja Sem Álcool – Melancia SOUR’n SaltSim! CervejaSpecialty Non-Alcohol BeerBrazil2025
PrataSt. Patrick’s Imperial StoutBrew Center Cervejas EspeciaisBritish-Style Imperial StoutBrazil2024
OuroGoiabinhaSuricatoContemporary GoseBrazil2024
OuroSt. Patrick’s Old AleBrew Center Cervejar EspeciaisOld Ale or Strong AleBrazil2024
PrataMandacaru AtômicoCaatinga RocksSpecialty Berliner-Style WeisseBrazil2024
OuroTupiniquim Pecan Imperial StoutCervejaria TupiniquimField BeerBrazil2018
PrataLohn Bier CarvoeiraCervejaria LohnHerb and Spice BeerBrazil2018
BronzeLeuven Irish Red AleCervejaria LeuvenIrish-Style Red AleBrazil2018
OuroWaels BrutCervejaria WaelsOther Belgian-Style AleBrazil2018
BronzeBrew Center Cervejas EspeciaisBrasserie 35Other Strong BeerBrazil2018
OuroWäls DubbelWäls CervejariaBelgian-Style DubbelBrazil2014
PrataWäls QuadruppelWäls CervejariaOther Belgian-Style AleBrazil2014
BronzeEisenbahn DunkelCervejaria Sudbrack Ltda.German-Style SchwarzbierBrazil2008
PrataKronenbierCia Antarctica PaulistaNon-Alcoholic Malt BeveragesBrazil1998
BronzeCerveja AntarcticaCia. Antarctica Paulista JaguariúnaDry LagerBrazil1996

Sua empresa tem registro de marca, mas talvez ainda não esteja protegida

No ambiente competitivo do mercado cervejeiro, o registro de marca da cervejaria costuma ser percebido como um marco importante. Afinal, o certificado emitido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) transmite a sensação de segurança: a marca existe, está registrada e, em tese, pertence ao seu titular.

O problema é que essa sensação de segurança muitas vezes é apenas ilusória.

Boa parte das cervejarias acredita que o simples registro da marca resolve a questão da proteção jurídica do negócio. No entanto, ao analisar com mais cuidado o sistema de proteção marcária, percebe-se que o registro não é geral nem absoluto. Ele é limitado às classes de atividade escolhidas no momento do pedido.

Esse detalhe técnico, frequentemente negligenciado pelas cervejarias, pode gerar consequências relevantes para a estratégia e para a expansão do negócio.

O sistema de classes do INPI

O registro de marcas no Brasil segue a Classificação de Nice, um sistema internacional que organiza produtos e serviços em diferentes classes. Cada classe corresponde a um determinado tipo de atividade econômica.

Isso significa que a proteção conferida pelo registro não se estende automaticamente a todas as áreas em que a marca possa ser utilizada. Na prática, o titular obtém exclusividade apenas dentro da classe ou das classes em que realizou o pedido.

Esse ponto é essencial para compreender um erro relativamente comum no mercado cervejeiro: registrar a marca apenas na classe mais evidente e deixar outras áreas estratégicas desprotegidas.

A Classe 32: onde quase a maioria das cervejarias registram

A maioria das cervejarias faz o registro na Classe 32 da Classificação de Nice. Essa classe abrange, entre outros produtos:

  • cervejas
  • bebidas não alcoólicas
  • águas e refrigerantes

Portanto, quando uma cervejaria registra sua marca nessa classe, ela obtém proteção vinculada ao produto cerveja.

Do ponto de vista industrial, essa escolha faz sentido. No entanto, a realidade das cervejarias modernas costuma ir muito além da simples fabricação de bebidas.

E é justamente nesse ponto que surgem lacunas de proteção.

O ponto cego: a Classe 35

A Classe 35 está relacionada às atividades de comércio e serviços de venda. Ela abrange, por exemplo:

  • comércio varejista
  • venda de produtos
  • e-commerce
  • distribuição e intermediação comercial

Para uma cervejaria que possui loja própria, vende pela internet ou opera um taproom com venda direta de produtos, essa classe pode ser tão importante quanto a própria Classe 32.

Sem esse registro adicional, existe a possibilidade de que terceiros tentem registrar marcas semelhantes para atividades comerciais envolvendo bebidas. Isso pode gerar conflitos ou limitar determinadas estratégias de expansão.

E o taproom? A importância da Classe 43

Outro elemento que se tornou cada vez mais comum no setor cervejeiro é a experiência oferecida ao consumidor. Taprooms, brewpubs e bares ligados às cervejarias fazem parte do modelo de negócios de muitas marcas.

Essas atividades se enquadram na Classe 43, destinada a serviços de alimentação e bebidas, incluindo bares, restaurantes e brewpubs.

Quando a marca é utilizada para identificar esse tipo de experiência, a proteção jurídica passa a depender também do registro nessa classe.

Assim, uma cervejaria que receba público para consumo no local pode ter interesse estratégico em considerar essa proteção.

O risco de uma proteção incompleta no registro de marca

Quando o registro é realizado apenas na Classe 32, a marca fica protegida enquanto produto, mas não necessariamente enquanto atividade comercial ou serviço.

Isso pode gerar algumas situações potencialmente problemáticas, como:

  • conflitos com marcas semelhantes em outras classes
  • dificuldades para expansão de determinadas operações
  • necessidade de enfrentar oposição ou pedido de nulidade
  • perda de exclusividade em determinadas áreas do negócio

É importante ressaltar que cada caso possui suas particularidades e deve ser analisado individualmente. No entanto, o ponto central permanece: o registro de marca não é um ato meramente burocrático; ele envolve decisões estratégicas.

Registro de marca é estratégia, não apenas formalidade

O crescimento do mercado cervejeiro brasileiro trouxe consigo uma maior profissionalização do setor. Muitos dos desafios enfrentados pelas cervejarias não estão necessariamente ligados à produção, mas à gestão e às estruturas jurídicas do negócio.

Nesse contexto, a empresa deve compreender a proteção da marca como parte da estratégia geral.

Registrar a marca é, sem dúvida, um passo importante. Mas entender como e onde protegê-la pode ser o que realmente define a segurança e o potencial de crescimento da marca no longo prazo.


André Lopes é advogado, sócio do escritório Lopes Verdi Advogados e criador do Advogado Cervejeiro.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Eisenbahn é cerveja oficial do Monsters Of Rock 2026

Depois de ser patrocinadora dos shows do AC/DC em São Paulo, a Eisenbahn reforça sua conexão com o universo musical e assume o posto de cerveja oficial da nona edição do Monsters of Rock 2026, que acontece neste sábado (4), no Allianz Parque, em São Paulo (SP). Por meio de sua plataforma Eisen Rock Station, a marca do Grupo Heineken busca consolidar sua presença no cenário do gênero e estreitar o vínculo com os fãs. Durante o festival, o público terá acesso à ações da marca e três rótulos do portfólio premium: Pilsen e Unfiltered, comercializados a R$ 20, e American IPA, vendida a R$ 22.

A programação do Monsters of Rock 2026 no estádio paulista tem início às 11h30 com a banda Jayler, seguida por Dirty Honey (12h30), Yngwie Malmsteen (13h45), Halestorm (15h15) e Extreme (16h45). As atrações principais começam no início da noite com o show do Lynyrd Skynyrd às 18h15, encerrando a maratona com o Guns N’ Roses, que sobe ao palco às 20h30. Os portões da arena serão abertos para o público a partir das 10h.

Os últimos ingressos para o Monsters of Rock 2026 estão disponíveis exclusivamente pela plataforma Eventim. Os valores variam conforme o setor escolhido, com a Cadeira Superior custando R$ 600, Pista a R$ 750, Cadeira Inferior a R$ 950 e Pista Premium a R$ 1.350, considerando os preços de inteira. A organização também disponibiliza pacotes VIP que incluem benefícios como open bar, alimentação e acesso a áreas exclusivas de after show.

Leia também neste Menu Degustação:

Ambev abre tours gratuitos com harmonização de chocolate

A Ambev promove visitas guiadas gratuitas em seis cervejarias durante os quatro sábados de abril (4, 11, 18 e 25) para celebrar a Páscoa. Unidades em cidades como Jaguariúna (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Ponta Grossa (PR) oferecerão degustações de rótulos como Caracu e Colorado combinados com trufas. Interessados maiores de 18 anos devem realizar o agendamento prévio pelo site oficial da companhia. A Cervejaria Bohemia, em Petrópolis (RJ), também integra a ação nos dias 4 e 5 de abril com inscrições exclusivamente pelo canal da cervejaria fluminense no Sympla.

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Brewteco lança chopes inspirados em sobremesas de Páscoa

O Brewteco, no Rio de Janeiro (RJ), preparou uma seleção limitada de chopes com chocolate para o feriado de Páscoa. A lista inclui quatro rótulos que utilizam ingredientes como marshmallow, menta e laranja, com preços a partir de R$ 20 para copos de 300ml. Para o cardápio de refeições, a rede oferece camarão em duas texturas e gurjão de peixe, disponíveis de sexta-feira a domingo nas unidades do Leblon, Gávea, Tijuca e Botafogo. As bebidas são assinadas em parceria com a cervejaria Overhop.

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Bodebrown realiza festa de Páscoa com rock e blues em Curitiba

A cervejaria Bodebrown, em Curitiba (PR), promove edições especiais do Growler Day na sexta-feira (3) e no sábado (4). O evento com entrada franca reúne mais de 40 rótulos artesanais e quatro shows ao vivo, incluindo tributos a Lynyrd Skynyrd e Rammstein. No sábado, a programação conta com café da manhã solidário mediante doação de alimentos e visitas guiadas à fábrica. O cardápio gastronômico terá pratos de influência belga e alemã disponíveis durante os dois dias de festa.

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Corona sorteia viagens para show da Shakira no Rio

A cerveja Corona vai realizar no dia 11 de abril um sorteio que levará dez fãs para o show da cantora Shakira no Rio de Janeiro. A promoção não oferecerá somente o show e transporte, como dará acesso exclusivo ao front stage do evento Todo Mundo no Rio, hospedagem na praia de Copacabana e até passeio de barco – uma experiência completa! Interessados devem cadastrar notas fiscais de produtos da marca no hotsite da promoção até 14 horas de quinta-feira (9). Compras da versão Corona Cero garantem chances em dobro na apuração.

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Heineken oferece desconto em tour imersivo em Jacareí

Heineken lança no Rio de Janeiro o Finish Line Club, plataforma de corrida da marca (Crédito: Divulgação)
Heineken lança no Rio de Janeiro o Finish Line Club, plataforma de corrida da marca (Crédito: Divulgação)

Jacareí (SP) celebra seu aniversário de 374 anos com ingressos pela metade do preço no Inside The Star, espaço imersivo do Grupo Heineken em sua fábrica que fica na cidade. Durante todo o mês de abril, moradores pagam 50% menos em visitas realizadas de terça a quinta-feira ao utilizar o cupom ITSJACAREI. A experiência inclui etapas do processo produtivo, história das marcas e harmonizações exclusivas de Páscoa. Ingressos estão à venda na plataforma Sympla. A entrada é restrita para maiores de 18 anos.

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Itaipava assume patrocínio da turnê sertaneja Histórias

São Paulo (SP) foi o ponto de partida para o anúncio da Itaipava Premium como cerveja oficial da turnê Histórias 2026. O festival percorrerá sete capitais, incluindo apresentações em Brasília (DF) no sábado (9 de maio) e em Curitiba (PR) no sábado (14 de novembro). O roteiro conta com artistas como Chitãozinho & Xororó e Bruno & Marrone. A marca terá estruturas exclusivas como bares proprietários e lounges para convidados em todas as arenas.

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Heineken lança clube de corrida com celebração no Rio

O Rio de Janeiro (RJ) sediou nova edição do Rolê 0.0 para marcar o lançamento do Finish Line Club, plataforma de corrida da Heineken. O percurso atravessou o bairro da Glória e terminou com celebração coletiva no bar Deja Vu, acompanhada por DJs e degustação da versão sem álcool da cerveja. A iniciativa integra a estratégia da marca para promover a socialização pós-esporte nas comunidades urbanas e precede uma corrida proprietária na cidade.

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Ambev abre vagas de estágio em 12 unidades de São Paulo

A Ambev recebe inscrições para seu programa de estágio até segunda-feira (13 de abril) em doze cidades paulistas, como Ribeirão Preto, Campinas e a capital. As oportunidades são destinadas a estudantes de graduação para atuação nas áreas de Business e Supply. O programa foca no desenvolvimento de futuras lideranças por meio de mentoria e uso de ferramentas de inteligência artificial. O cadastro deve ser realizado pelo site de carreiras da companhia.

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Bar Brahma Centro estreia projeto de forró em abril

O Bar Brahma Centro, em São Paulo (SP), anunciou a programação musical para o mês de abril com a novidade do projeto Forró no Centro. As apresentações ocorrem aos domingos, das 18h às 22h, sob o comando de Robson Baza. A agenda mantém atrações fixas como o pagode de Levi de Paula às terças-feiras, Ivo Meirelles às sextas e a feijoada com samba aos sábados. O bar também confirmou shows de Demônios da Garoa e Nelson Rufino ao longo do mês. Mais informações no perfil oficial do Instagram do Bar Brahma.

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Como conciliar a paixão pela cerveja com os resultados na academia?

Entre o suor do treino de força e o brinde do fim de semana, muitos apaixonados por cerveja vivem um dilema: é possível manter os resultados no treino sem abrir mão do copo? Quando o assunto é cerveja e academia, a conversa costuma oscilar entre colocá-la como vilã absoluta e desconsiderar seus efeitos e características. A ciência, no entanto, aponta para um caminho mais sensato e equilibrado.

Com base em informações de especialistas, o Guia da Cerveja desvenda como os ingredientes da bebida agem no corpo e mostra que, com escolhas conscientes, é possível conciliar o prazer cervejeiro com a busca por hipertrofia e definição muscular.

Treino de força e cerveja

Para quem foca em resultados reais de ganho de massa, a moderação é a regra de ouro. Segundo Lara Natacci, nutricionista e PhD pela USP, conciliar cerveja e academia é possível, mas exige estratégia: “Quanto maior for o objetivo de hipertrofia e definição, menor deve ser a presença do álcool, porque ele pode atrapalhar a síntese de proteína muscular e a recuperação pós-treino”. Na prática, o ideal é que o álcool seja adotado em algumas ocasiões específicas, com moderação.

Nesta mesma linha, Marcos Roberto de Oliveira, nutricionista, sommelier, juiz em concursos cervejeiros e idealizador do canal “Cerveja em Libras”, explica que o corpo funciona em um constante sistema de construção e degradação muscular. O treino de força age como um interruptor para a construção do músculo, mas o álcool pode reduzir essa resposta. “Além de reduzir a construção muscular, o álcool pode aumentar a degradação”, afirma Oliveira, explicando que a bebida pode ativar fatores responsáveis por estimular proteínas que degradam as fibras musculares.

Para quem não quer abrir mão do sabor e do ritual social, as cervejas sem álcool (ou de baixo teor alcoólico) despontam como excelentes aliadas. Natacci observa que, sem o etanol, a bebida “fica muito mais compatível com saúde, com a rotina de treino”. Oliveira acrescenta que essas versões mantêm compostos interessantes, como os polifenóis do malte e do lúpulo, sem os impactos metabólicos da bebida com álcool.

Cervejas sem álcool e low carb

Cervejas sem álcool também podem ajudar na perda de peso ou definição muscular. Como cada grama de álcool fornece 7 kcal, a retirada desse composto elimita boa parte das calorias. Mas não todas. Oliveira alerta que o valor energético também depende dos carboidratos presentes no líquido, que são “açúcares” que não foram fermentados.

No contexto de cervejas com álcool, o inverso também é verdadeiro. É possível reduzir a quantidade de carboidratos, como ocorre nas cervejas low ou zero carb. Mas isso não elimina as calorias do álcool. O ideal seria a união dos dois mundos, algo que está começando a aparecer no mercado com as cervejas zero álcool e zero carboidratos, como a Skol Zero Zero.

Por isso, é importante entender exatamente o que estamos bebendo. No entanto, isso pode ser um desafio. No Brasil, cervejas com álcool não são obrigadas a apresentar tabela nutricional porque foram regulamentadas pelo seu potencial de risco e não pelo valor nutritivo. “Na prática, isso significa que, muitas vezes, o consumidor tem menos informação justamente nas bebidas com álcool”, aponta. Já nas versões sem álcool, a tabela nutricional é obrigatória.

O efeito do álcool no armazenamento de gordura

Conhecer o impacto da cerveja no corpo de quem treina vai muito além da contagem isolada de calorias e engloba todo um contexto metabólico, explica Oliveira. Ele diz que quando a bebida é consumida junto com carboidratos — sejam o açúcar da própria cerveja ou da refeição que a acompanha —, ocorre a liberação de insulina, hormônio que favorece o armazenamento de energia.

A combinação desses fatores cria um cenário desfavorável para a definição muscular. “Enquanto o álcool ‘sinaliza’ ao organismo que já há energia disponível e reduz a ação de enzimas responsáveis pela queima de gordura, a insulina direciona os nutrientes disponíveis para armazenamento”, explica o sommelier. O resultado, em contextos de consumo frequente, é o favorecimento do acúmulo de gordura.

Para fazer escolhas inteligentes, Oliveira propõe duas perguntas fundamentais na hora de escolher o copo: “Tem álcool? E qual é o perfil de corpo e dulçor da cerveja?”. Por fim, ele lembra que a matemática exige atenção a um último fator decisivo: “Não é só o tipo de cerveja que influencia o impacto no organismo, mas também o quanto se bebe”.

Dicas de ouro para cerveja e academia da “vida real”

Se a meta é manter o corpo forte e ainda aproveitar a cultura cervejeira, o segredo para conciliar cerveja e academia é a moderação. Lara Natacci orienta a nunca sacrificar o consumo de alimentos importantes (proteínas, fibras e micronutrientes) para “compensar” a ingestão de calorias da cerveja. O ideal é encarar a bebida como uma caloria extra.

“Se 80% a 90% da rotina é equilibrada, não tem problema a gente proporcionar um prazer esporádico, seja pela bebida ou por uma refeição diferente”, pondera Natacci. Para ela, além de pensar no consumo das calorias, é preciso focar no equilíbrio, que envolve alimentação, exercícios físicos, gestão de estresse e sono adequado.

E a ocasião do consumo também faz toda a diferença. O pós-treino imediato é o pior cenário para o corpo, segundo Oliveira. Assim, se for beber, deixe para mais tarde, intercale sempre com muita água e trace uma meta de degustação para evitar grandes quantidades.

No fim das contas, a cerveja não precisa ser excluída da vida de quem treina, mas requer um consumo consciente, entendendo a quantidade, a frequência e o melhor momento para o brinde. “O equilíbrio está em entender como o corpo responde e, assim, decidir com consciência e conhecimento”, diz Oliveira.

Confira, abaixo, um resumo sobre como alinhar cerveja e academia, de acordo com Natacci:

RotinaComo conciliar treino e cerveja
Pós-treino imediatoÉ o momento em que se deve evitar o álcool. O corpo precisa focar na recuperação e na síntese muscular. A hidratação deve ser feita exclusivamente com água, pois usar a cerveja com álcool para se hidratar é um erro.
O momento do brindeEncare o consumo como algo ocasional e evite doses altas. É fundamental nunca utilizar a bebida como uma válvula de escape para compensar o estresse da rotina ou do trabalho.
AcompanhamentosO consumo da cerveja nunca deve ser feito de forma isolada. A bebida deve estar sempre combinada com uma refeição bem equilibrada e intercalada com bastante água para proteger a hidratação do corpo.
Foco nos resultadosSe o objetivo principal no momento for garantir a recuperação muscular máxima e a performance na hipertrofia, a escolha ideal é a cerveja sem álcool. Ela atende ao ritual social gerando muito menos impacto no organismo.
O descansoO planejamento não termina no último gole. O álcool afeta diretamente a qualidade do sono, e dormir mal prejudica a recuperação das fibras musculares, comprometendo os resultados do esforço feito na academia.
Fonte: Lara Natacci, nutricionista e PhD pela USP

6 experiências diferentes para curtir uma Páscoa mais cervejeira

A relação entre cerveja e Páscoa é tão antiga que, dizem, foi Matusalém que fez o primeiro pão líquido da Quaresma. E isso enquanto ainda era jovem! Brincadeiras à parte, é fato comprovado que nossa querida bebida fez parte da vida nos mosteiros cristãos desde pelo menos a Idade Média, o que criou uma ligação bastante longeva com a religião cristã, suas datas e rituais.

Para os monges, mais do que apenas algo para beber, a cerveja era um alimento essencial do dia a dia e imprescindível na Quaresma. Nesse período, eles produziam e consumiam uma cerveja feita com ainda mais malte, resultando num suplemento proteico que compensava, pelo menos em parte, a alimentação regular e a falta da carne para os não vegetarianos.

Ela também ficava mais alcoólica — uma consequência que não era o objetivo final, mas também não era um problema. Já reparou que nas pinturas os frades estão sempre sorrindo?

Hoje em dia a relação vai além da questão religiosa. Ela está no potencial gigantesco de harmonização da bebida com o chocolate e pode ser também algo a se explorar com os pratos típicos, como bacalhau e cordeiro. E há também, claro, cervejas mais pascoais que outras.  Existem rótulos com maltes torrados que naturalmente lembram chocolate, outros com cacau ou chocolate de fato na receita e até aqueles feitos para simular sobremesas, que são uma ótima pedida para essa época.

Selecionamos, portanto, seis experiências para você vivenciar em casa e curtir a Páscoa sob uma nova perspectiva cervejeira. Talvez as sugestões sirvam como inspiração para você se divertir com mais essa brincadeira no feriado.

Cervejas “de Quaresma”

A tradição de produzir cervejas especificamente para o jejum da Quaresma foi algo muito comum em mosteiros na Europa medieval. No entanto, foi especificamente no mosteiro de São Francisco de Paula de Munique, capital da Baviera, região Sul da atual Alemanha, que ela se transformou em uma cerveja reconhecível até hoje.

O local pertencia à Ordem dos Mínimos. Os monges eram conhecidos como paulinos. Lá, pelo menos desde 1634, é produzida a cerveja Paulaner. Filha da Quaresma, a Paulaner Salvator é considerada a primeira Doppelbock do mundo. E o estilo que ela fundou é a ligação mais próxima com a cerveja dessa tradição.

Com 7,9% de álcool, trata-se de uma cerveja encorpada e aquecedora – por isso muito procurada no inverno, mas faz um bom papel nos dias mais frios de outono também. Os aromas e sabores são maltados, lembrando tostado, castanhas e caramelo. Vale a pena!

Aromas e sabores que lembram chocolate

Páscoa lembra chocolate. E ele e cerveja têm mais semelhanças do que você imagina. Para fazer o doce, a amêndoa do cacau é fermentada, processo pelo qual também passa a cerveja. Depois, as sementes do cacaueiro são processadas, passando por uma etapa de torra – o que também acontece com os maltes das cervejas escuras. E isso faz com que muitas cervejas acabem tendo aromas e sabores que remetem ao chocolate naturalmente.

Portanto, estilos como Munique Dunkel, Schwarzbier, Porters e Stouts podem trazer essa característica sem que seja necessária a adição de qualquer ingrediente extra. Prove a Therezópolis Ebenholz, Dunkel da cervejaria da cidade homônima da Serra Fluminense, que remete ao chocolate ao leite, ou a Dama Bier Stout, uma Export Stout premiada, que traz notas de chocolate meio-amargo. 

Cervejas com cacau ou chocolate

As Chocolate or Cocoa Beers são outra maneira de aproveitar a Páscoa cervejeira. Elas levam de fato adições de cacau ou chocolate na receita. Aqui vale ressaltar que é muito mais comum o uso do cacau, já que o chocolate pronto também traz gordura, o que prejudica a estabilidade da cerveja e sua espuma.

Para servir como base para o ingrediente, vale qualquer estilo de cerveja. Há aquelas que utilizam bases com maltes torrados, que têm as notas semelhantes ao chocolate reforçadas pelo cacau. É o caso da Baden Baden Língua de Gato, feita em parceria com a marca de chocolates Kopenhagen e recém-lançada pelo Grupo Heineken. Trata-se de uma releitura da antiga Baden Baden Chocolate, que foi descontinuada, mas deixou muita gente com saudades. Ela levava cacau e baunilha.

O segundo caso é o da Cacau IPA da cervejaria Bodebrown, de Curitiba (PR). Ela mistura os aromas cítricos e frutados dos lúpulos norte-americanos e o alto amargor típico do estilo com notas de cacau de Ilhéus (BA). 

Simulando uma sobremesa

Mesmo que não necessariamente tenham cacau, Pastry Beers podem ser ótimas para essa época do ano. São cervejas feitas para simular sobremesas. As Pastry Stouts são as mais comuns, normalmente feitas com uma base Imperial Stout doce ou adicionadas de lactose, sendo complementadas com outros ingredientes conforme o caso.

A Captain Brew, de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, tem uma cerveja especialmente feita para essa época do ano. A Pascoadélica, uma Pastry Stout de 14,5%, é produzida em edições anuais. A versão 2025 leva cacau belga e da Bahia, avelãs torradas, baunilha Madagascar e café.

A Salted Caramel Peanut Cake, da Cervejaria 5 Elementos, de Fortaleza (CE), também é muito boa. É uma Pastry Stout com amendoim, cacau, baunilha, caramelo e sal do Himalaia. A cerveja lembra algo entre paçoca e caramelo salgado.

O caminho mais fácil da harmonização com chocolate

Harmonizar é combinar os sabores da cerveja com alimentos de modo que eles interajam, que se transformem mutuamente e assim fiquem mais gostosos juntos do que separados. E a combinação com chocolate é uma das mais saborosas e surpreendentes.

A forma mais fácil é aproveitar as cervejas de malte torrado já mencionadas justamente por lembrarem naturalmente o doce. Ao combinar, essas notas achocolatadas são enfatizadas. E para quem é chocólatra, quanto mais chocolate, melhor!

Para escolher o melhor rótulo e o doce mais adequado, há uma regrinha de ouro: quanto mais dulçor tiver o chocolate, mais amargor de maltes torrados deve ter a bebida para contrastá-lo. Pode parecer contraintuitivo, mas o objetivo aqui é buscar o equilíbrio para que não fique muito enjoativo ou sem graça. Assim, em geral, chocolates ao leite combinam bem com Extra Stouts (Dama Bier Stout), que são mais amargas, e aqueles de maior percentual de cacau combinam melhor com uma Munique Dunkel (Therezópolis Ebenholz), por exemplo

Essa é a fórmula básica. Mas dá para ir além, procurando aromas e sabores complementares, que fiquem bem junto com o chocolate e a cerveja. Ao inserir um chocolate com frutas vermelhas junto com a bebida, é possível conseguir algo como um bolo floresta negra. Se o doce tiver castanhas, elas vão ser ressaltadas na combinação.

Com pratos típicos de Páscoa, invista na Bélgica

O mesmo pode ser feito com os pratos típicos da época. E para a Páscoa, uma boa ideia é recorrer à tradição das cervejas belgas. 

A bacalhoada, por exemplo, fica bem com uma Belgian Tripel, como a da Leopoldina – além de ficar linda na mesa por conta da garrafa de espumante de 750 ml! Diferente do que muita gente pensa, o bacalhau em si é um peixe magro. Mas o prato fica bem gordo se considerarmos a quantidade de azeite. Essa cerveja tem álcool suficiente para equilibrar a untuosidade e notas condimentadas que enfatizam os temperos.  

Para um carré de cordeiro, carne também comum na Páscoa, invista numa Belgian Blond Ale, como a Leffe Blond. O álcool dessa cerveja de abadia é suficiente para equilibrar a gordura e os aromas e sabores, frutados, florais e condimentados, podem impulsionar molhos típicos à base de hortelã, mostarda ou um bom tzatziki (iogurte e pepino).

Para sobremesas à base de chocolate, valem os mesmos conselhos do chocolate em si. No entanto, uma boa Belgian Dubbel, como a Brugse Zot Dubbel, traz notas frutadas, como ameixas e uvas-passas, que complementam e trazem complexidade a uma boa mousse de chocolate. 

Diante de tantas opções, a melhor escolha depende do seu gosto. Qual a sua preferida?

Entrevista: os planos da Câmara Setorial da Cerveja para o Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo e a profissionalização do setor são alguns dos temas que vão dominar a pauta de 2026 da Câmara Setorial da Cerveja, segundo Gilberto Tarantino, presidente da entidade. Reeleito para o cargo em fevereiro, Giba, como é conhecido, é também presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e falou sobre as perspectivas em entrevita ao Guia da Cerveja. 

Tarantino, que assumiu o posto em janeiro de 2024 após o falecimento do pioneiro Marco Falcone, transita agora de uma gestão de continuidade para um mandato de expansão. O grande divisor de águas é a regulamentação da Reforma Tributária. Após uma vitória histórica que abriu a possibilidade de taxação por teor alcoólico das bebidas e tratamento diferenciado para pequenos produtores, sem aumento de carga tributária.

O projeto de lei para definir as alíquotas e a forma como elas incidirão será enviado pelo Governo ao Congresso em breve. O “Imposto do Pecado”, como ficou popularmente conhecido, é um novo tributo federal de natureza extrafiscal criado na Reforma Tributária, mas que ainda carece de regulamentação. 

O objetivo central é desestimular o consumo de bens e serviços que, segundo os legisladores, fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Ele incidirá sobre cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e itens prejudiciais ao ecossistema, como derivados de petróleo e minerais.

O setor pede que as normas que serão definidas não asfixiem as cervejarias e defende que o novo tributo respeite as diretrizes expostas na Reforma, fazendo com que a definição da alíquota do Imposto Seletivo leve em consideração a concentração alcoólica e escala de produção.

Mas a ambição para 2026 vai além dos tributos. “O business da produção de cerveja tem que dar certo”, defende Tarantino. Sob essa premissa, a Câmara planeja investir também em capacitação, para que o horizonte principalmente dos pequenos produtores vá além da simples produção.

Você acabou de ser reeleito para mais um mandato à frente da Câmara Setorial da Cerveja. Qual é o balanço do primeiro mandato e quais as prioridades para o segundo?

No primeiro mandato entrei sucedendo o Marco Falcone [proprietário da Falke Bier (MG) falecido em janeiro de 2024] que era um amigo, um cara muito bacana mesmo. O foco foi na reforma tributária, buscando um equilíbrio para as pequenas cervejarias em relação às grandes. Houve apoio das três grandes indústrias (Ambev, Heineken e Petrópolis), e foram realizadas ações conjuntas no Congresso, em audiências públicas e reuniões com deputados e senadores, o que foi uma grande vitória.

Para o segundo mandato, a prioridade é a definição do Imposto Seletivo (IS), que demandará muita atenção e trabalho, pois o governo ainda não enviou o texto ao Congresso. Essa missão do Imposto Seletivo é vista como algo que durará décadas. Além disso, a Câmara pretende avançar em temas como cultura e saúde (do ponto de vista da medicina e dos nutricionistas sobre o produto), criando grupos de trabalho para isso.

Já houve uma primeira reunião da Câmara em 2026 em Blumenau durante o Festival Brasileiro da Cerveja em março, não é mesmo? Como foi a reunião? Quais os planos para 2026?

A Câmara se reúne três ou quatro vezes durante o ano. Na reunião da Câmara em Blumenau, foi feita uma apresentação sobre uma agenda a ser desenvolvida e foi aberta a possibilidade de criação de grupos de trabalho sobre temas específicos, com temáticas em que a Câmara tem mais flexibilidade para trabalhar.

No passado, houve grupos de dados e da Reforma Tributária, que foram muito bem. A ideia é continuar com a criação de novos grupos, pensando na criação de uma categoria no setor. A prioridade continua sendo o Imposto Seletivo.

A questão tributária foi a grande pauta da sua primeira gestão. Mas você comentou que “o negócio da cerveja precisa funcionar” e por isso quer focar em capacitação nesse segundo mandato. Algum plano já está em desenvolvimento?

A Câmara Setorial da Cerveja quer fazer um estudo sobre as indústrias de cerveja e a cadeia produtiva da cerveja, que é vista como muito maior do que se estima, abrangendo desde o campo até o copo, incluindo logística, manutenção de equipamentos, insumos, embalagens e distribuição. O objetivo é olhar para essa cadeia produtiva e capacitar principalmente as pequenas cervejarias. Para que o negócio não se foque apenas na produção e no sensorial, mas também na gestão, na parte tributária e na inovação.

Este é um processo de longo prazo, mas já estão pensando em “balões de ensaio”. Em São Paulo, há uma oportunidade interessante com as CPLs (Cadeias Produtivas Locais). Como São Paulo é o estado com o maior número de cervejarias e é uma referência, a ideia é começar esse trabalho por lá. Um diálogo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo já foi iniciado para trabalhar com os oito polos cervejeiros do estado.